sábado, 22 de outubro de 2016

uma música para o fim de semana - Cool Hipnoise


Já há algum tempo que não ia ao baú das memórias.
Estamos em 1994 quando os Cool Hipnoise decidem formar-se. Em 1995 editam o seu primeiro trabalho: Nascer do Soul.

É uma banda de exploradores. Ao longo dos vários anos de existências, os Cool Hipnoise andaram ao sabor de várias línguas musicais. O soul, funk, hip hop, dnb, dub, hip house e até reggae.
Para além de originais, os Cool Hipnoise trabalharam e remisturaram em temas de vários cantores e bandas portuguesas. Nirvana, Tom Jobim, Massive Attack e Xutos foram alvo desses covers.
Quando em 1997 lançaram o seu segundo trabalho, Missão Groove, ele foi considerado como o seu melhor trabalho até ao momento e um dos melhores daquele ano. Em 1998, numa reedição com nova capa, algumas misturas e novos tema, o tema dos Xutos&Pontapés, Remar, Remar surge no alinhamento desse cd.

É esse Remar, Remar trabalhado pelos Cool Hipnoise que escolho para este fim de semana. A banda portuguesa gostou deste tema e dez anos depois de terem lançado o Nascer do Soul, editam um best off, um duplo cd, para celebrar a sua década de existência, o Groove Junkies, onde este tema é recuperado.
A relação entre estas duas bandas portuguesas é estreita. Quando os Xutos fizeram vinte anos de formação, foi feito um disco de tributo o - XX Anos XX Bandas - onde entre as vinte bandas convidadas, estavam os Cool Hipnoise com o tema Dantes.

Para quem conhece o original Remar, Remar dos Xutos, é curioso confrontar com o som cool e electrónico dos Cool Hipnoise e ver como esta versão resulta tão bem.


Bom fim de semana :)






terça-feira, 18 de outubro de 2016

ainda sobre os taxistas...






Assistir às imagens da manifestação dos taxistas é muito difícil não pensar nas plataformas Uber e Cabify como uma alternativa cada vez mais credível aos taxistas.

Taxistas, esses, que por estes dias, não primam pela civilidade. Pontapés aos carros, objectos atirados aos vidros, estrume, agressões e ofensas aos motoristas das plataformas, ataques aos clientes, são alguns dos mimos presenteados pelos fofos dos taxistas aos motoristas da Uber e da Cabify.
Sabe-se que a generalidade dos taxistas não são assim, mas estas ovelhas ronhosas contam e elas estragam e influenciam negativamente a fotografia da família. E fizeram o maior dos favores a aqueles que eles estão tão visceralmente contra. A app da Uber foi a mais descarregada neste dia.

Pensar em chamar um táxi, penso de imediato que a probabilidade de ser enganado é muito alta, que vou entrar num carro degradado é mais que provável, suportar um cheiro nauseabundo a tabaco, quase de certeza que sim, se for um trajecto curto, na melhor das hipóteses, vou ouvir um ronco de protesto e que no acto do pagamento o taxista não vai ter troco. E com sorte não levo com um protesto dizer que o percurso é curto e que não paga a chatice de me levarem até lá.


O problema dos taxistas é que os tempos evoluem, modernizam-se e eles esqueceram-se de o fazer. Habituaram-se ao monopólio que durante dezenas de anos os sucessivos governos lhes proporcionou.
Agora a concorrência a surge de forma que não conseguem seguir e até compreender. Preços transparentes com regras definidas à partida, apresentação, limpeza do carro.
Pessoalmente e muito relevante para mim, se necessário também transportam animais. Anos-luz daquilo que os taxistas fazem actualmente e que tão rapidamente não conseguirão fazer.

Ao contrário que os taxistas afirmam, o cerne do problema não está na Uber, está neles próprios.
E estou extremamente curioso em saber o que irão os taxistas fazer, quando os carros autónomos, os que se conduzem sozinhos, forem uma realidade. Sem poder atacar os motoristas, vão abalroar os carros, tipo... carrinhos de choque??


sábado, 15 de outubro de 2016

uma música para o fim de semana - Bob Dylan


O facto de Bob Dylan ter ganho um Nobel da Literatura, deve ter posto as editoras livreiras a arrepelar os cabelos de desespero, e as editoras musicais aos pulinhos de contente.
As livrarias porque não levam, ou poucas levaram a sério a escrita de Bob Dylan, as editoras porque vão vender que nem pãozinhos quentes, os discos de Dylan, sem com contar com as reedições, remasterizações e edições de coleccionador.

E se os escritores ressabiados, estou a pensar na palerma escritora Alice Vieira, acusaram falta de desportivismo pelo facto de a sua classe pela primeira vez não ver o Nobel da Literatura a cair no colo, os músicos, e particularmente os letristas, aplaudiram,a coragem da Academia Sueca em pensar fora da caixa.

Sara Danius, a secretária da Academia Sueca, em Estocolmo, afirmou,a propósito da escolha de Bob Dylan: “Talvez os tempos estejam mesmo a mudar”.
Esta declaração não foi inocente. Foi antes um recado aos críticos da escolha deste ano. Em 1964, saia o tema, do álbum homónimo, The Times They Are a Changing, o terceiro álbum de estúdio de Bob Dylan.

Agora, dois factos. Um, é que nunca tantos tiveram um Nobel nas prateleiras de sua casa como este ano, e outro, é nunca um Nobel foi tão democrático e acessível como Bob Dylan: está gratuitamente, e ao alcance de todos, no Youtube.

Para este fim de semana, sugiro, dois clássicos.
O primeiro, é uma das minhas músicas preferidas Dylan: Blowing in the Wind, cantada ao vivo em 1963. Precisamente o ano de lançamento do seu segundo álbum, The Freewheelin' Bob Dylan.
O segundo é precisamente o que Sara Danius tinha em mente: The Times They Are a Changing.

Para quem atentar nestas duas letras, e façam-no, facilmente perceberá porque o Nobel da Literatura foi para ele. As letras são espantosas e ele ainda não tinha 22 anos!!!


Bom fim de semana :)


Blowing in the Wind




How many roads must a man walk down,
Before you can call him a man?
How many seas must a white dove sail,
Before she sleeps in the sand?
Yes, and how many times must cannonballs fly,
Before they're forever banned?
The answer, my friend, is blowin' in the wind
The answer is blowin' in the wind

Yes, and how many years can a mountain exist,
Before it's washed to the seas (sea)
Yes, and how many years can some people exist,
Before they're allowed to be free?
Yes, and how many times can a man turn his head,
And pretend that he just doesn't see?
The answer, my friend, is blowin' in the wind
The answer is blowin' in the wind.

Yes, and how many times must a man look up,
Before he can see the sky?
Yes, and how many ears must one man have,
Before he can hear people cry?
Yes, and how many deaths will it take till he knows
That too many people have died?
The answer, my friend, is blowin' in the wind
The answer is blowin' in the wind


The Times They Are a Changing





Come gather 'round people where ever you roam
And admit that the waters around you have grown
And accept it that soon you'll be drenched to the bone
If your time to you is worth savin'
Then you better start swimmin' or you'll sink like a stone,
For the times they are a' changin'!

Come writers and critics who prophesy with your pen
And keep your eyes wide the chance won't come again
And don't speak too soon for the wheel's still in spin
And there's no tellin' who that it's namin'
For the loser now will be later to win
For the times they are a' changin'!

Come senators, congressmen please heed the call
Don't stand in the doorway don't block up the hall
For he that gets hurt will be he who has stalled
There's a battle outside and it's ragin'
It'll soon shake your windows and rattle your walls
For the times they are a' changin'!

Come mothers and fathers throughout the land
And don't criticize what you can't understand
Your sons and your daughters are beyond your command
Your old road is rapidly agin'
Please get out of the new one if you can't lend your hand
For the times they are a' changin'!

The line it is drawn the curse it is cast
The slow one now will later be fast
As the present now will later be past
The order is rapidly fadin'
And the first one now will later be last
For the times they are a' changin'!



quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Boby Dylan, Nobel da Literatura 2016





Bob Dylan acaba de ser galardoado com o prémio Nobel da Literatura.
Ao longo dos anos Dylan vai aparecendo e desaparecendo nas listas de possíveis nobelizáveis. Por isso não deixa de ser surpreendente, mas não completamente, que tal tenha acontecido, mesmo para quem se movimenta neste meio.
Para mim e para muitos de nós, Bob Dylan é um criador de letras (e respectivas canções) sublime e isto per si, chegaria para ganhar este prémio.

Mas há também nele uma faceta de escritor que é pouco conhecida. Tem vários livros editados, tanto de prosa como de poesia e já tinha ganho o prémio Pulitzer, um prémio literário nas áreas da ficção, não ficção, poesia e história, em 2008.
O cantautor de 75 anos, editou o seu primeiro álbum em 1962 - Bob Dylan - e o seu mais recente este ano, 2016 - Fallen Angels. Para além do Pulitzer, tem vários grammys ganhos, mais um Óscar e um Globo de Ouro, em 2001, com o tema Things Have Changed, da banda sonora do filme Wonder Boys.

Com Bob Dylan a ganhar o Nobel da Literatura este ano, de imediato lembrei-me de outro cantor e que gostaria de ver a ganhar este mesmo galardão e também ele autor de letras tão sublimes quanto as de Dylan: Leonard Cohen.

É justo e merecido que a Academia Sueca tenha o atribuído o prémio a Bob Dylan, o primeiro músico e cantor a ganhar este galardão.
Acredito que por esse mundo fora haja quem pergunte, porque carga de água, um cantor norte-americano ganhou um Nobel da Literatura. Para esses, a resposta que lhes dou é:


the answer my friend is blowin in the wind