Um dia estava Débora Umbelino estava a ver um programa na televisão sobre o Vale do Omo, no Sul da Etiópia, quando reparou nas pinturas corporais da tribo Surma.
Atraiu-lhe o abstrato das pinturas, das suas cores, das suas formas orgânicas, místicas, quase experimentais.
Débora queria pegar no seu baixo, nos sintetizadores que tinha em casa e juntar-lhes a sua voz . Queria lançar-se no mundo da música. Sabia que águas navegar: a electrónica. O que fazer com ela: experimentar sonoridades que ainda não estivessem muito exploradas. Gostou da tribo, dos ornamentos e do significado que lhes atribuiu. Decidiu que Surma seria um bom nome para o seu alter-ego musical, e que se adequava a aquilo que gostava de fazer.
A música de Surma tem aqueles nomes estranhos que quem arruma e categoriza os géneros musicais gosta de atribuir: post-rock, noise, dream pop.
O que seja. Maasai, outro nome retirado desse planeta de países que é África, é profundamente reflexivo. Uma paisagem sonora solitária e serena.
É como ela pensasse em voz alta, ou melhor, em voz pausada. E leva-nos connosco nos seus murmúrios ecoantes e angelicais.
Muito melhor como ser humano, humanista, que como político.
Acredito verdadeiramente que Guterres era a única escolha sensata e competente para o lugar de Secretário Geral da ONU.
Patética foi a candidatura de Kristalina Georgieva, apoiada por dois grandes palermas europeus que empenhadamente andam a destruir a Europa: essa coisa que se chama Angela Merkel e a criatura de nome Jean-Claude Junker.
Mas se rapidamente apareceu, mais rapidamente desapareceu.
Guterres ainda tem a grande vantagem, quero acreditar, que no final dos dois mandatos, que certamente os irá ter, não vai a correr para o Goldman Sachs, chafurdar em dinheiro sujo mas certamente muito branco, como o indigno e seboso ex-presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, infelizmente português, mais conhecido pelo cherne.
Espectacular esta nomeação de António Guterres.
Verdadeiramente um vencedor!
A Música da Morte, a nebulosa,
estranha, imensa música sombria.
passa a tremer pela minh'alma e fria
gela, fica a tremer, maravilhosa...
Onda nervosa e atroz, onda nervosa,
letes sinistro e torvo da agonia,
recresce a lancinante sinfonia
sobe, numa volupia dolorosa...
Sobe, recresce, tumultuando e amarga,
tremenda, absurda, imponderada e larga,
de pavores e trevas alucina...
E alucinando e em trevas delirando,
como um ópio letal vertiginando,
os meus nervos, letárgica, fascina.
Recentemente tive uma conversa que me fez recordar tantas outras que já tive.
Falávamos sobre animais e o quanto eles são fofos, queridos e conseguem estabelecer relações afectivas com os seus donos e acima de tudo a capacidade de as estabelecerem com outras espécies.
Foi mencionado a galinha que abrigava cachorrinhos debaixo das suas asas, o porquinho que brincava com um cão, um gato que se aninhava numa porca, os pintainhos são adoráveis e as suas cores queridas.Os exemplos são incontáveis.
Depois retorqui que tudo isto era bonita, mas que no fim as pessoas que adoravam estes vídeos, estas histórias, colocam adoros e likes nesse vídeos e depois... comem-nos ou vão a um circo vê-los
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Isto irrita-me profundamente. É uma hipocrisia tremenda. E doí-me, mexe imenso comigo, porque estamos a falar de seres vivos sencientes.
Ninguém abdica de comer uma galinha,de um leitão assado, ninguém abdica de um bife de vaca, uma vitela estufada, ou um cabrito no forno, ou ainda andar a cavalo, ou de os ver numa tourada. Comer ovos é fixe, mas ninguém pensa que os pintainhos machos são triturados vivos, porque não põem ovos e as galinhas poedeiras sofrem horrores. Os seus bicos são cortados a sangue frio para não comerem os ovos, as patas estão feridas e infectadas por estarem cortadas causa das grades, estão tão juntas que morrem devido ao aumento de temperatura corporal, mal conseguem mexer as suas asas e passam toda a sua vida nestas condições pavorosas. E o mesmo acontece com vacas, porcos, patos, coelhos, etc..., etc...
Relembraram-me que antes que também comia carne e aos quilos. É verdade. Mas soube ultrapassar esta minha hipocrisia. E que me tornei vegetariano há pouco anos. Verdade de novo. Mas tornei-me.
Sou vegetariano sem que ninguém me incentivasse, explicasse, mostrasse ou dar a entender o que os animais que comemos o que são e o que passam.
Soube ir além dos vídeos fofos e ver o que se passa no seu dia a dia, fui capaz de ver o que se passa nos matadouros e ser capaz de chorar por eles, e acima de tudo mudar os meus comportamentos por eles.
Soube perceber o que era feito com estas vidas, e que ninguém se lembra que já foram vidas!
Soube procurar, perceber, os conceitos de senciência, especismo e compreender plenamente os seus significados.
O vídeo é um pouco lamechas, feito para amolecer o coração.
É para levar-nos a pensar que tal como o animal humano, o animal não humano também não quer morrer e tem esse direito. O direito à sua vida.
É utópico, mas o seu objectivo é levar as perceberem que um animal pensa, sofre, sente medo, alegria, sabe o que é conforto e protecção, gosta de carinho e não gosta de ser agredido. A esta percepção, reacção e adaptação ao ambiente que o rodeia chama-se senciência.
Sabiam que é preciso que uma criança chegue aos quatro anos, para igualar a inteligência de um porco?
Sabiam que o porco é mais inteligente que um cão?
Sabiam que o porco só chafurda numa pocilga, porque o pomos numa pocilga, quando o que ele gosta é de um sítio limpo?
Sabiam que comemos o porco (ou uma vaca, ou uma galinha, etc..., ) e revolta-nos saber que um cão é comido, porque não temos a coragem de ter um porco em casa e estabelecer laços afectivos com ele, quando o contrário acontece em definitivo? A isto chama-se especismo.
Hoje celebra-se o dia mundial do Animal. Não só do cão, ou do gato. De todos.
E das suas vidas.
Não há amor como o primeiro. Podemos vir a ter amores maiores, mais estáveis e duradouros, mas o primeiro...
Por isso, quando no dia mundial da Música, escolho uma música, e apesar de ser vidrado no jazz há muito anos, é à música clássica que a vou buscar.
E quem?? Chopin, Chopin, Chopin!
Frédéric Chopin, o compositor polaco nasceu na Polónia em 1810 e morreu na França em 1849, mais conhecido do mundo, um tímido compositor e pianista que durante a sua vida se sentou ao piano, cerca de três dezenas de vezes, marcou e tornou-se um ícone do período romântico da música clássica.
O compositor que tornou o piano tão expressivo como poucos o conseguiram, fala connosco através das teclas branca e pretas de um piano.
Com elas, mostra cores, disserta sobre a introspecção, a tristeza e a nostalgia. Conduz-nos aos mistérios da morte e nos transporta a mundos e paisagens oníricas.
O meu Chopin é o Chopin das peças curtas de piano. É o Chopin dos nocturnos, dos estudos e dos prelúdios.
Os nocturnos são peças pensadas para serem executadas à noite, nos salões da aristocracia, ou nos jardins. São suaves, poéticos, reflexivos.
Os estudos são exactamente isso. É curioso. São peças, que servem para fazer exercícios específicos para mãos ou dedos, melhorar técnicas, para corrigir defeitos. São ginásios, cartilhas pianísticas.
Até chegar Chopin, ou talvez os de Chopin, os estudos ganham projecção, ganham direito próprio. São tocados para o público. Porque a maior parte da vezes, os estudos não chegam a ser divulgados. Ficam frequentemente retidos nas salas de estudo onde estes eram praticados.
Os prelúdios também são aquilo que o seu nome significa. Anunciam, preparam o que vem a seguir: a peça, obra principal. Distiguem-se das aberturas, as de algumas óperas são particularmente famosas e conhecidas, por estes introduzirem segmentos musicais que estão presentes, tornando-os reconhecíveis quando o corpo principal se desenvolve.
Para celebrar um dos dias mais bonitos do ano, o dia mundial da Música, escolho o nocturno, o estudo e um prelúdio mais bonitos para mim, de Frédéric Chopin.
Nocturno nº 2
Comecei por gostar de Chopin sem saber que era dele que gostava. DO que gostava mesmo era do Nocturno nº 2. que não sabia de quem era. A sua beleza, a sua elegância são estonteantes. É uma oração que purifica a nossa alma, qualquer que seja a religião se considere.
É sublime.
Estudo nº 3 - Tristesse
É uma peça extraordinariamente reflexiva, lírica. Não é tão purificadora quanto o Nocturno nº 2, mas torna-nos filosóficos. metafísicos.
Acaba de tocar e continuamos a meditar sobre o que ouvimos, sobre os mistérios do universo.
Só acordamos, só nos lembramos de respirar, quando nos apercebemos que Tristesse acabou.
Este estudo é um exemplo acabado de um exercício, que escapou das elitistas salas dos conservatórios, para pertencer ao domínio do grande público.
Chopin afirmou, sobre este estudo, que foi a sua mais bela criação.
Prelúdio nº 4 - Suffocation
A tristeza que emana deste prelúdio é muito doce, suave como veludo.
Defendo que a tristeza não tem que ser feia. Na verdade não é feia, consegue até ser muito bela, e este sentimento tem sido musa inspiradora de inúmeros temas imortais independentemente do género musical que pensemos.
Não há como escapar ao prelúdio nº 4. Nem mesmo Chopin.
Juntamente com o Requiem de Mozart, foi esta peça que Frédérick Chopin escolheu que fosse tocada aquando da sua morte. Este pedido ilustra bem a força do quarto prelúdio dos vinte e quatro que Chopin escreveu.
Talvez não o mais belo, essa dúvida fica dividida com o prelúdio nº 15 (Raindrops), o mais extenso de todos eles.
No que me diz respeito este prelúdio, está enfermo de uma grande doença; Chopin podia ter estendido, explanado a sua genialidade por mais um minutinho. Sabe sempre a pouco.