sábado, 15 de junho de 2013

uma música para o fim de semana - Laurent Filipe


Há um par de semanas atrás estava a ouvir o 5 minutos de jazz no carro no regresso do ginásio e ao contrário do habitual, não foi uma sugestão musical que José Duarte propôs mas antes uma reflexão sobre o jazz nacional.
Mostrava-se surpreendido pela grande quantidade de cds de jazz que eram editados e o quanto pouco desse número era divulgado.

Nomeadamente por falta de existência de uma faixa na casa dos cinco minutos nesses mesmos cds para poderem ser passados na rádio, por não haver clubes de jazz em Portugal para os músicos poderem mostrar ao vivo os seus trabalhos, pela falta de programas de jazz na rádio que os divulgue e uma quase indignação pelos festivais de jazz nacionais preferirem promover os músicos internacionais em detrimento dos nacionais.

Aqui pelo palco da Esteira já passaram vários músicos nacionais de jazz. Recentemente Helena Caspurro, Júlio Resende, Miguel Calhaz, João Paulo Esteves da Silva, Marta Hugon e Bernardo Sasseti, entre outros.

Enquanto o ouvia lembrei-me de Laurent Filipe. Provavelmente apenas conhecido por ser um dos jurados do acéfalo programa Ídolos e certamente muito mais desconhecido enquanto músico de jazz, cantor e trompetista, com projecção nacional no meio.
Penso quase sempre nele com um Chet Baker nacional. Alguém que alia a sua voz ao som do trompete e com uma certa apetência para as baladas.

Pegando na indignação de José Duarte, para este fim de semana proponho uma música do "nosso" Chet Baker nacional, Laurent Filipe tocando e cantando um cover de um tema do próprio Chet Baker que seria também o título de um documentário sobre a sua agitada, turbulenta, violenta e dramática vida - Lets Get Lost.


Bom fim de semana e bom jazz. De preferência nacional. ;)





quinta-feira, 13 de junho de 2013

Pessoa 125




No dia em que se comemora o centésimo vigésimo quinto ano do nascimento de Fernando Pessoa, escolho um dos poemas para mim mais marcantes do poeta de todos nós.

Ler Pessoa é quase sempre entrar no seu âmago, no seu profundo eu, na sua alma de simplicidade complexa.
Este poema é talvez um dos poemas que sinto que veio mesmo de lá dentro, do seu interior abismal, das suas entranhas mais profundas, das minhas entranhas mais profundas.

Quando leio este poema a imagem que surge é a do menino que não queria crescer, o menino que vivia na Terra do Nunca, "Nesse impossível jardim". Não se crescia, tudo era simples.
As coisa sãos o que são. Mantêm a sua pureza, a sua ingenuidade. O próprio tempo é virginal.

Não há lugar aos porquês, porque não há necessidade do saber. É a terra dos sonhos impossíveis. A terra do Peter Pan. A minha terra.


Às vezes, em sonho triste

Às vezes, em sonho triste
Nos meus desejos existe
Longinquamente um país
Onde ser feliz consiste
Apenas em ser feliz.

Vive-se como se nasce
Sem o querer nem saber.
Nessa ilusão de viver
O tempo morre e renasce
Sem que o sintamos correr.

O sentir e o desejar
São banidos dessa terra.
O amor não é amor
Nesse país por onde erra
Meu longínquo divagar.

Nem se sonha nem se vive:
É uma infância sem fim.
Parece que se revive
Tão suave é viver assim
Nesse impossível jardim.

Fernando Pessoa
21.11.1909


Como gosto de ti Fernando Pessoa. Poeta das mil caras, das mil personalidades, onde cada uma delas é cada um de nós.



sábado, 8 de junho de 2013

uma música para o fim de semana - António Variações


Neste post tinha escrito que apesar do original ser de António Joaquim Rodrigues Ribeiro, abreviadamente António Variações, eu preferia a versão dos Três Tristes Tigres.
Gosto da maneira calma, serena e tranquila que este tema é cantado por eles.
Para este fim de semana recupero o original do excêntrico, mas muito à frente do seu tempo, barbeiro que nasceu em Braga.

Tornou-se conhecido pela sua maneira de extravagante e exagerada de vestir, pelos seus brincos, pela sua homossexualidade que na década de 80 era uma palavra tabu, quase desconhecida do léxico português e que ostracizava de imediato quem saia do armário.

Em 1981 na participação no Passeio dos Alegre tornou-o conhecido para o país musical.
A sua música fundia estilos pouco compatíveis uns com os outros, como o rock, o folclore e a pop.
Teria uma breve carreira musical, pouco mais de três anos. 
Em 13 de Junho de 1984, no mesmo dia que Fernando Pessoa, morreria de uma doença que poucos conheciam ou tinham ouvido falar, SIDA.

Foi através do impacto da sua morte que esta doença faria entrada timidamente na vida dos portugueses e que estes descobririam que "lá fora" esta doença já existia.

Anjo da Guarda, o álbum é lançado em 1983 e ajudaria a torná-lo um nome (ainda hoje) incontornável na música popular portuguesa.
Dele vem, Anjinho da Guarda (o tema escolhido), O Corpo é que Paga, É prá Amanhã e Voz Amália de Deus.

Anjinho da Guarda confesso que é quase enervante ouvir este tema na voz de António Variações. 
É demasiado "ruidoso" com pouca harmonia. Parece desorganizado e quase caótico. Obsessivo.

Por isso prefiro o cover dos Três Tristes Tigres. É tranquila, serena. Introduz ordem e a letra
(simples) da canção é deslindada e pode ser percebida. É-nos entregue como fosse um prato gourmet.


Bom fim de semana XL :)





Eu tenho um anjo
Anjo da guarda
Que me protege de noite e de dia
Eu tenho um anjo
Anjo da guarda
Que me protege de noite e de dia 
Eu não o vejo
Eu não o oiço
Mas sinto sempre
A sua companhia

Eu tenho um guarda
Que é um anjo
Que me protege
De noite e de dia
A toda a hora
E em todo o lado
Posso contar
Com a sua vigia

Não usa arma
Não usa a força
Usa uma Luz
Com que me ilumina
 A minha vida

Ele não
não usa arma
Ele não
não usa a força
Usa uma Luz
Com que ilumina
a minha vida

Ele não
não usa arma
Ele não
Ele não usa a força
Usa uma Luz
Com que ilumina
a minha vida


quarta-feira, 5 de junho de 2013

13


a ti :)





O tema original é de António Variações, mas pessoalmente tenho uma clara preferência por esta versão dos Três Tristes Tigres.