sábado, 8 de junho de 2013

uma música para o fim de semana - António Variações


Neste post tinha escrito que apesar do original ser de António Joaquim Rodrigues Ribeiro, abreviadamente António Variações, eu preferia a versão dos Três Tristes Tigres.
Gosto da maneira calma, serena e tranquila que este tema é cantado por eles.
Para este fim de semana recupero o original do excêntrico, mas muito à frente do seu tempo, barbeiro que nasceu em Braga.

Tornou-se conhecido pela sua maneira de extravagante e exagerada de vestir, pelos seus brincos, pela sua homossexualidade que na década de 80 era uma palavra tabu, quase desconhecida do léxico português e que ostracizava de imediato quem saia do armário.

Em 1981 na participação no Passeio dos Alegre tornou-o conhecido para o país musical.
A sua música fundia estilos pouco compatíveis uns com os outros, como o rock, o folclore e a pop.
Teria uma breve carreira musical, pouco mais de três anos. 
Em 13 de Junho de 1984, no mesmo dia que Fernando Pessoa, morreria de uma doença que poucos conheciam ou tinham ouvido falar, SIDA.

Foi através do impacto da sua morte que esta doença faria entrada timidamente na vida dos portugueses e que estes descobririam que "lá fora" esta doença já existia.

Anjo da Guarda, o álbum é lançado em 1983 e ajudaria a torná-lo um nome (ainda hoje) incontornável na música popular portuguesa.
Dele vem, Anjinho da Guarda (o tema escolhido), O Corpo é que Paga, É prá Amanhã e Voz Amália de Deus.

Anjinho da Guarda confesso que é quase enervante ouvir este tema na voz de António Variações. 
É demasiado "ruidoso" com pouca harmonia. Parece desorganizado e quase caótico. Obsessivo.

Por isso prefiro o cover dos Três Tristes Tigres. É tranquila, serena. Introduz ordem e a letra
(simples) da canção é deslindada e pode ser percebida. É-nos entregue como fosse um prato gourmet.


Bom fim de semana XL :)





Eu tenho um anjo
Anjo da guarda
Que me protege de noite e de dia
Eu tenho um anjo
Anjo da guarda
Que me protege de noite e de dia 
Eu não o vejo
Eu não o oiço
Mas sinto sempre
A sua companhia

Eu tenho um guarda
Que é um anjo
Que me protege
De noite e de dia
A toda a hora
E em todo o lado
Posso contar
Com a sua vigia

Não usa arma
Não usa a força
Usa uma Luz
Com que me ilumina
 A minha vida

Ele não
não usa arma
Ele não
não usa a força
Usa uma Luz
Com que ilumina
a minha vida

Ele não
não usa arma
Ele não
Ele não usa a força
Usa uma Luz
Com que ilumina
a minha vida


quarta-feira, 5 de junho de 2013

13


a ti :)





O tema original é de António Variações, mas pessoalmente tenho uma clara preferência por esta versão dos Três Tristes Tigres. 


sábado, 1 de junho de 2013

uma música para o fim de semana - João Só e Abandonados com Lúcia Moniz


Sem ser tão pejorativo quanto parece, quando vi João Só e a Lúcia Moniz a cantarem juntos, pensei - Olha, a Bela e o Monstro.

Da Bela, já lhe conhecia a voz e gostava dela, agora da pança do Monstro, de aspecto bonacheirão já não sabia bem que voz poderia sair de lá. Talvez cavernosa, talvez rouca, ou talvez de cor de burro quando foge.
Grande engano. Longe ser cavernosa, a voz de João Só encanta. Melódica, tem uma suavidade e textura que surpreende. É fluída e bem controlada.

Ao contrário, Lúcia Moniz parece que hesita em alguns momentos e aqui e ali parece soar um tudo nada estridente. Será?

Imaginando este tema sem a Lúcia Moniz, naturalmente não ficaria tão rico. Faltaria o contraditório. Mas sem a voz do Monstro não resultaria de todo.
A Sorte Grande é toda dele ;)

Bom fim de semana  :)





Olha lá
Já se passaram alguns anos
Nem sequer vinhas nos meu planos
Saíste-me a sorte grande.

E eu cá vou
Usando os louros deste achado
Contigo de braço dado
Para todo o lado

Eu vou até morrer
Ser teu se me quiseres

Agarrado a ti
Vou sem hesitar
E se o chão desabar
Que nos leve aos dois
Vou agarrado a ti

Meu amor
Na roda da lotaria
Que é coisa escorregadia
Saíste-me a sorte grande

E eu cá vou
À minha sorte abandonado
Contigo de braço dado
Para todo o lado

Eu vou até morrer
Ser teu se me quiseres

Agarrado a ti
Vou sem hesitar
E se o chão desabar
Que nos leve aos dois
Vou agarrado a ti

E olha lá
Por mais que passem os anos
Por menos que faça planos
Saís-me sempre a sorte grande

Agarrado a ti
Vou sem hesitar
E se o chão desabar
Que nos leve aos dois
Vou agarrado a ti

Vou sem hesitar
E se o chão desabar
Que nos leve aos dois
Vou agarrado a ti

Vou agarrado a ti
Vou agarrado a ti