domingo, 26 de maio de 2013

Miles Davis 87


O lendário trompetista Miles Davis se fosse vivo faria hoje 87 anos. É difícil imaginar o jazz sem ele e em que estado estaria se Miles se não tive existido.
Ele esteve na origem de todas as evoluções do jazz. Bebop, hardbop, cool jazz, free jazz, jazz fusão, nu jazz e sabe-se lá que outras variantes em que ele esteve na origem.

Também graças a Miles Davis, provavelmente John Coltrane, Bill Evans, Jimmy Cobb, Herbie Hancock, Red Garland, Philly Joe Jones, Paul Chambers, Chick Corea, Dave Holland e muitos, muitos outros nomes, não seriam o que foram ou o que são hoje se não fossem as suas colaborações nas várias formações lideradas por Miles Davis.

O "meu" Miles é o Miles do cool jazz, do jazz suave, do jazz que aconchega, do late night jazz. A minha discografia dele ronda quase toda ela este período onde pontifica o extraordinário Kind of Blue.
Mas tenho uma excepção, Bitches Brew. Um álbum que inundado pela genialidade do seu autor, marcou uma era na música em geral e no jazz em particular. A era do jazz de fusão.

Miles rasga literalmente os caminhos tradicionais que o jazz trilhara até então e cria um completamente novo e diferente. Um difícil de gerir, de compreender e falando por mim de gostar. Os mais puristas dizem que já não é jazz.
Aqui rock e jazz eléctrico surgem e fundem-se. De uma maneira muito incisiva, penetrante, por vezes quase de uma maneira violenta. É claramente um dos álbuns lendários de Miles Davis.
Não o ter é uma falha grave numa discografia de quem gosta de jazz e faz dele o seu género musical de eleição.

E se ao início para um fã convicto do jazz modal, Bitches Brew estranha-se fortemente, e no meu caso foi quase uma rejeição, ele aos poucos e poucos vai-se entranhando. Tive que aprender a gostar dele, abrir um pouco os meus horizontes para que Bitches Brew se entranhasse. Na verdade continuo a não ouvi-lo com muita frequência, mas de tempos a tempos ele vai tocando na minha sala.

Bitches Brew foi gravado em 1969 e editado em Abril de 1970. Há três anos que cruzou a marca do quarenta anos.

No dia em que Miles faria os seus 87 anos, escolho o segundo tema deste mítico álbum e que lhe dá também o seu nome - Bitches Brew.

Deixem-se entranhar :)






sábado, 25 de maio de 2013

uma música para o fim de semana - João Paulo Esteves da Silva


José Duarte considera-o talvez o pianista de jazz mais interessante do momento. Pessoalmente, poria-o lado a lado com Júlio Resende.
Mas ouvi-lo a tocar este "Durme", a sua sonoridade e capacidade de improvisação remete-me quase de imediato para o genial Concerto de Colónia de Keith Jarret nos longínquos anos de 1975.

Sai veludo dos seus dedos enquanto as suas mãos se passeiam pelo piano. A suavidade invade-nos, a nossa pulsação baixa e um bem estar instala-se em nós.
Os pensamentos mais agradáveis surgem e se há nuvens cinzentas na nossa vida, João Paulo, nota a nota vai afastando-as, dissipando-as.
Quando ele termina, o encantamento mantém-se, a atmosfera continua suavizada.
São mais de sete minutos pacificadores, de deleite e de fantasia.

Dá vontade de dizer "silêncio que se vai ouvir o piano de João Paulo Esteves da Silva"


Bom fim de semana :)




quinta-feira, 23 de maio de 2013

sábado, 18 de maio de 2013

uma música para o fim de semana - Tambor


Parece que eles já existem desde 1999 e já vão no seu quinto (!) álbum. Ou seja há quatorze anos que andam nestas andanças.
Mas para mim nasceram apenas há pouco mais de um mês quando ouvi o tema Fica na Antena1, o terceiro single que lança o tal quinto álbum que saiu em Janeiro deste ano chamado Electro Pop.

A doçura e o toque de veludo da voz de Alexandra Valentim agarra-nos logo de imediato.

Naturalmente, os Tambor navegam nos mares da electropop. É um pop ligeiro, pouco exigente, discreto e sem grandes floreados quer musicalmente quer na componente vocal.

Provavelmente ainda regressarão aos palcos dos fins de semana da Esteira.


Bom fim de semana :)





sexta-feira, 17 de maio de 2013

cagar e andar


É uma frase que vemos com frequência a circular na net. O clássico "cagar e andar" é a velha mistura de Johnnie Walker com a Activia.
Mas muito adequada aos tempos que se vivem.

Quando a nossa classe política faz o que lhe apetece, corta a direito sem pensar muito em quem atinge ou nas consequências das suas decisões, mas sabendo sempre salvaguardar as suas regalias e assegurar um futuro radioso para si, a filosofia do cagar e andar, para nós Zé Povinho e com vocação para mexilhão, parece ser adequada. 

É a filosofia da indiferença. É o que quer que façamos, ou que não queiramos, as coisas acontecem na mesma. É a velha máxima do "chefe é chefe". É quando a evolução ou involução da situação não depende mais de nós. Não somos tidos nem ouvidos.
E por isso pode-se fazer o que nos der na bolha, porque as coisas não dependem de nós, não podem piorar mais.

Na brincadeira houve quem me dissesse que deveria experimentar este cocktail durante pelo menos 24 horas. 
É tentador sem dúvida, mas os resultados por muito libertadores e certamente anárquicos que fossem seriam sempre muito duvidosos e pouco úteis.

É o problema de se viver em sociedade. Perde-se o bom senso ;)