sábado, 25 de maio de 2013

uma música para o fim de semana - João Paulo Esteves da Silva


José Duarte considera-o talvez o pianista de jazz mais interessante do momento. Pessoalmente, poria-o lado a lado com Júlio Resende.
Mas ouvi-lo a tocar este "Durme", a sua sonoridade e capacidade de improvisação remete-me quase de imediato para o genial Concerto de Colónia de Keith Jarret nos longínquos anos de 1975.

Sai veludo dos seus dedos enquanto as suas mãos se passeiam pelo piano. A suavidade invade-nos, a nossa pulsação baixa e um bem estar instala-se em nós.
Os pensamentos mais agradáveis surgem e se há nuvens cinzentas na nossa vida, João Paulo, nota a nota vai afastando-as, dissipando-as.
Quando ele termina, o encantamento mantém-se, a atmosfera continua suavizada.
São mais de sete minutos pacificadores, de deleite e de fantasia.

Dá vontade de dizer "silêncio que se vai ouvir o piano de João Paulo Esteves da Silva"


Bom fim de semana :)




quinta-feira, 23 de maio de 2013

sábado, 18 de maio de 2013

uma música para o fim de semana - Tambor


Parece que eles já existem desde 1999 e já vão no seu quinto (!) álbum. Ou seja há quatorze anos que andam nestas andanças.
Mas para mim nasceram apenas há pouco mais de um mês quando ouvi o tema Fica na Antena1, o terceiro single que lança o tal quinto álbum que saiu em Janeiro deste ano chamado Electro Pop.

A doçura e o toque de veludo da voz de Alexandra Valentim agarra-nos logo de imediato.

Naturalmente, os Tambor navegam nos mares da electropop. É um pop ligeiro, pouco exigente, discreto e sem grandes floreados quer musicalmente quer na componente vocal.

Provavelmente ainda regressarão aos palcos dos fins de semana da Esteira.


Bom fim de semana :)





sexta-feira, 17 de maio de 2013

cagar e andar


É uma frase que vemos com frequência a circular na net. O clássico "cagar e andar" é a velha mistura de Johnnie Walker com a Activia.
Mas muito adequada aos tempos que se vivem.

Quando a nossa classe política faz o que lhe apetece, corta a direito sem pensar muito em quem atinge ou nas consequências das suas decisões, mas sabendo sempre salvaguardar as suas regalias e assegurar um futuro radioso para si, a filosofia do cagar e andar, para nós Zé Povinho e com vocação para mexilhão, parece ser adequada. 

É a filosofia da indiferença. É o que quer que façamos, ou que não queiramos, as coisas acontecem na mesma. É a velha máxima do "chefe é chefe". É quando a evolução ou involução da situação não depende mais de nós. Não somos tidos nem ouvidos.
E por isso pode-se fazer o que nos der na bolha, porque as coisas não dependem de nós, não podem piorar mais.

Na brincadeira houve quem me dissesse que deveria experimentar este cocktail durante pelo menos 24 horas. 
É tentador sem dúvida, mas os resultados por muito libertadores e certamente anárquicos que fossem seriam sempre muito duvidosos e pouco úteis.

É o problema de se viver em sociedade. Perde-se o bom senso ;)




sábado, 11 de maio de 2013

uma música para o fim de semana - Helena Caspurro


Há uma frase pelo qual tenho um especial carinho, na qual acredito e cito frequentemente que diz "num mundo de loucos só os loucos têm juízo". 
Já soube quem era o seu autor mas infelizmente já não me recordo do seu nome.

Foi esta frase que mais uma vez me veio à cabeço quando ouvi no cinco minutos de jazz, a canção Colapsopira de Helena Caspurro.

Helena Caspurro iniciou a sua carreira pianística na música clássica e erudita bem cedo, aos dez anos. Entrou no mundo de jazz relativamente tarde quando já era professora e já não se revia completamente no que fazia. 
Ela compõe, escreve, toca e canta as suas próprias canções, dá aulas na Universidade de Aveiro e pelo meio tirou o curso de filosofia na Faculdade de Letras do Porto.

Helena descreve o seu segundo álbum - Colapsopira - como um "nome criado para definir um estado de loucura. Um estado passional em que a razão pura simplesmente vai-se embora e vem justamente da ideia de colapso em que nós colapsamos." Mais à frente nessa explicação acrescenta que Pira não vem de dióspiro mas sim de pirar, de nos passarmos da cabeça, de darmos em malucos, acrescentaria eu.

A loucura não tem que ser sempre um estado de insanidade mental, pelo contrário. Pode ser um sinal de sensatez, de qualidade de vida. 
Quando o termos que ser meninas e meninos bonitos e bem comportados se torna cansativo, nos exaure, nos esgota, então temos que quebrar regras. Temos que ser loucos ou tornarmos loucos para nos mantermos sensatos. 
Fazer aquilo que usualmente não fazemos, para que interiormente nos possamos sentir normais de novo. Um extravasar de energia. Uma transformação interior.

Num grande livro do escritor norte-americano de ficção científica, Philip K. Dick, chamado Os Clãs da Lua de Alfa, um livro que aborda e reflecte sobre o tema da loucura vs sanidade, diz-nos que na essência os loucos são loucos porque estão em minoria relativamente aos que estabelecem as regras de conduta da sociedade. 
Mas numa sociedade em que são os loucos que estão em maior número e são estes que estabelecem as regras, então de que lado estará a loucura???

Sabermos ter, equilibradamente, um pé em cada um destes mundos, pessoalmente é um sinal suplementar de sanidade.

Um bom de fim de semana cheio de quás-quás-quás ;)