quarta-feira, 20 de março de 2013

dia mundial da felicidade





Primavera




Quando vier a Primavera

Quando vier a Primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.

Sinto uma alegria enorme
Ao pensa que a minha morte não tem importância nenhuma.

Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.

Alberto Caeiro


segunda-feira, 11 de março de 2013

nos próximos dias...


Nos próximos dias a Esteira vai estar sossegadita.
Parto hoje para o país dos fiordes, das fadas e dos trolls.

Vou para o país do extraordinário saxofonista Jan Garbarek e do grande pianista Ketil Bjornstadt.
Vou aproximar-me como nunca do Grande Norte ao atravessar o círculo polar árctico para ir em busca das belas, etéreas e míticas luzes do norte.

Vou tentar ver em que cores dançam as almas nos céus boreais da Noruega.





sábado, 9 de março de 2013

uma música para o fim de semana - Norberto Lobo


Há uma canção - Guitarra - dos Madredeus cuja letra gosto muito. 
O seu primeiro verso é assim:

Quando uma guitarra trina
nas mãos de um bom tocador
a própria guitarra ensina 
a cantar seja quem for.

Hoje este verso pipocou na minha cabeça e recordei-me do lisboeta Norberto Lobo. 
Enquanto há os que falam pelos cotovelos, ele é dos que falam pelos dedos.


É um desses bons tocadores que fazem a guitarra trinar como reza o verso dos Madredeus, mas felizmente não tem que ensinar ninguém a tocar. Norberto Lobo usualmente toca sempre solo.
Diz que é a pessoa mais feliz do mundo por poder tocar guitarra e que tem sorte porque há uns quantos "fixes" que gostam da música dele. Eu sou um desses "fixes" :).

Norberto Lobo já editou três álbuns. Mudar de Bina de 2007, Pata Lenta de 2009, para muitos considerado o seu melhor álbum até ao momento e em Novembro do ano passado saiu Mel Azul.

Para este fim de semana, trago Brisa Biónica.
Brisa Biónica pertence ao seu álbum de estreia, Mudar de Bina. 
E é tudo aquilo que uma música em versão acústica tocada com um só instrumento, a guitarra, faz sobressair: a expressividade, a técnica, a virtuosidade e a alma de quem toca. 

É uma música em que cada nota conta da mesma maneira que cada verso conta num poema.
Para ouvir com atenção.




terça-feira, 5 de março de 2013

Hugo Chavez (1954 - 2013)


"Ontem  o diabo esteve aqui... E este lugar ainda cheira a enxofre"


Este frase foi dita a 20 de Setembro de 2006 na assembleia geral das Nações Unidas referindo-se a George W. Bush que tinha discursado no dia anterior.

Não acredito que ele fosse o diabo mas que era um calhau com olhos, isso era. E em nada abonou a inteligência dos americanos quando o reelegeram para o segundo mandato.
E isso o presidente venezuelano Hugo Chavez que lhe tinha um ódio de estimação, sabia-o na perfeição.
Em contrapartida tinha um confessa admiração por Fidel Castro.


Hugo Chavez nasce a 28 de Julho de 1954. Era um militar de carreira. Entrou na academia das ciências militares de Caracas aos 17 anos.
Enquanto para-quedista participou em 1992 no golpe de estado falhado para tomar o poder na Venezuela. É preso, cumpre dois anos de prisão e depois é amnistiado.

Em Dezembro de 1998 candidata-se à presidência da Venezuela e ganha. Não abandona o poder, sendo reeleito por quatro vezes e ainda sobrevive a uma tentativa de golpe de estado em 2002.
Na sua última reeleição em Outubro de 2012 já não está presente na cerimónia da tomada de posse em Janeiro deste ano por estar em tratamento na ilha de Cuba a um cancro que lhe tinha sido diagnosticado em  2011.

Pelo caminho ainda ganha inesperadamente em 2009, um referendo que lhe permitia a partir de 2012 recandidatar-se automaticamente ao cargo. Até essa altura, os presidentes venezuelanos estavam limitados a dois mandatos de seis anos.

A morte de Hugo Chavez, consequência do cancro que sofria e que afirmava repetidamente que tinha sido uma conspiração americano para o afastar do poder, foi anunciada hoje aos 58 anos.




segunda-feira, 4 de março de 2013