segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
sábado, 16 de fevereiro de 2013
uma música para o fim de semana - Júlio Pereira
Existem três músicos portugueses que associo de imediato a três instrumentos. Três sonoridades que se tornaram a sua assinatura pessoal. Rão Kyao à flauta bansuri, Júlio Pereira ao cavaquinho e Pedro Barroso à sua própria voz.Quer Rão Kyao, quer Pedro Barroso já passaram pela Esteira, faltava Júlio Pereira. Agora já não falta ;).
A música para este fim de semana é dele e tem algumas contradições.
A mais evidente é que Júlio Pereira não toca aqui o seu cavaquinho. A outra, é que este tema é dedicado à pintora portuguesa Paula Rego, que diga-se de passagem não aprecio.
A terceira é que a letra, que gosto muito, é baseada na sua obra que não gosto nada e finalmente o título da música deste fim de semana - Casa das Histórias - é também o nome dado ao edifício museu onde algumas obras da pintora estão expostas.
Foi desenhado pelo arquitecto, que gosto bastante, Eduardo Souto Moura e tornou-se um ícone de Cascais. Pessoalmente não morro de amores pelo desenho deste museu.
Mas em contrapartida sou um grande admirador da voz de Manuela Azevedo que canta este tema que pertence ao álbum Grafitti de 2010 de Júlio Pereira.
Curioso neste álbum é que só há vozes femininas e para cada um dos dez temas há uma ilustração de Tiago Taron.
Podem vê-las todas aqui. No vídeo surge o referente à Casa das Histórias.
Bom fim de semana :)
Sei que existe um lugar
entre a noite e a luz
onde os meninos anda nus
dentro e fora do mar
Há um gato a tocar
há um cão que é mulher
e um corvo a querer voar
de um desenho qualquer
Uma casa no campo,
uma voz, um centauro
e as asas de um anjo
que as bruxas quiseram tecer ao contrário
A rapariga tem
que engolir sem um ai
mais um pássaro que é também
o seu filho e o seu pai
No jardim de Crivelli
ao som de traviattas
os meninos perdidos
descansam no colo gentil dos piratas
Onde estás?
quem me faz
um feitiço?
O macaco vermelho
vai batendo à mulher
e eu vejo-me ao espelho
será que o macaco irá morrer velho?
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
para ti
Para ti
Para ti que perdi
e por ti passei
vi e não te reconheci
para ti que só olhei.
A ti que não existes
e que não sei como procurar
oh razão que insistes
uma forma de te encontrar.
Alma de pedaços quebrados
caída e a chorar
vem apanhar seus bocados
e suavemente os juntar.
Inkheart
Paperman, no Brasil chamam-lhe Avião de Papel, é uma curta de animação a preto e branco dos estúdios Walt Disney e que está candidata aos óscares deste ano na categoria curtas de animação.
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
o Papa vai resignar
Bento XVI anunciou na passada segunda feira que ia resignar. 28 de Fevereiro é a data escolhida.
Alegou que o fazia por falta de forças devido à sua idade.
É preciso recuar quase 600 anos para se ter um papa que renunciou ao cargo. Aconteceu em 1415 com Papa Gregório XII e tal como Joseph Ratzinger também este evocou razões de saúde.
Este papa não é flor que se cheire e andou envolvido em polémicas sucessivas.
O desrespeito por Maomé, as declarações sobre a violência e a irracionalidade do islão, a oposição ao casamento homossexual e à ordenação de padres também homossexuais foram algumas delas.
Mas acima de tudo foi a maneira como lidou, falta de determinação e firmeza, abafando ao início e depois reagindo tardiamente e timidamente contra os escândalos de natureza sexual, particularmente pedofilia que mais negativamente marcou o seu mandato.
Não vou sentir falta dele e garantidamente do próximo também não. Nem as Femen.
Pelo menos a avaliar pelos dizeres dos cartazes...
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
domingo, 10 de fevereiro de 2013
celebrar um dia de inverno
Chove, mas não intensamente. Está vento, mas não muito forte. Sente-se que está frio, mas não dentro de casa. O céu está todo cinzento, mas não carregado de escuro.
As janelas estão embaciadas, mas permite ver difusamente o que se passa lá fora.
Vejo o verde da relva intenso e os meus quatro pinheiros estão forrados a castanho escuro no lado em que a chuva bate directamente na casca dos troncos. Vejo as copas das árvores a abanar gentilmente.
Acabei de comer pão acabado de fazer na máquina e ao meu lado tenho o meu copo de leite de soja vazio, mas ainda quente ao toque.
O Miles está sentado a olhar para mim e o Mahler está a dormir encostado à bateria do pc a aproveitar o calor que dela irradia. A cauda dele abana suavemente quase imperceptivelmente. Ambos estão ao alcance da minha mão para uma festa.
Naturalmente a música está presente. Para estes dias gosto de escolher jazz lento, lírico, reflexivo. Usualmente vou buscar uma formação muito clássica de jazz. Piano, contrabaixo, bateria.
Gosto muito do trompete mas a minha colecção é variada neste tipo de trio. Oscar Peterson, Bill Evans, Keith Jarret, Tord Gustavesen, Stefano Bolani e Benedikt Jahnel são alguns dos nomes que poderão tocar na minha sala até ao final do dia.
Chamei ao palco da minha sala em primeiro lugar a minha mais recente aquisição, o trio do pianista (e matemático) alemão Benedikt Jahnel.
O contrabaixista, António Miguel, é espanhol e o baterista, Owen Howard, é canadiano.
Eles vão tocar Equilibrium.
Suave, delicado. Fluido. Evocativo. Cheio de serenidade. Cheio de silêncios. Que são sagrados... :)
Entretanto o Mahler continua deitado sobre a bateria do pc e o Miles anda pela casa a falar sozinho. O vento parou.
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