quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

o Papa vai resignar


Bento XVI anunciou na passada segunda feira que ia resignar. 28 de Fevereiro é a data escolhida.
Alegou que o fazia por falta de forças devido à sua idade. 
É preciso recuar quase 600 anos para se ter um papa que renunciou ao cargo. Aconteceu em 1415 com Papa Gregório XII e tal como Joseph Ratzinger também este evocou razões de saúde.

Este papa não é flor que se cheire e andou envolvido em polémicas sucessivas. 
O desrespeito por Maomé, as declarações sobre a violência e a irracionalidade do islão, a oposição ao casamento homossexual e à ordenação de padres também homossexuais foram algumas delas. 
Mas acima de tudo foi a maneira como lidou, falta de determinação e firmeza, abafando ao início e depois reagindo tardiamente e timidamente contra os escândalos de natureza sexual, particularmente pedofilia que mais negativamente marcou o seu mandato.

Não vou sentir falta dele e garantidamente do próximo também não. Nem as Femen. 
Pelo menos a avaliar pelos dizeres dos cartazes...






domingo, 10 de fevereiro de 2013

celebrar um dia de inverno


Está um dia muito bonito.
Chove, mas não intensamente. Está vento, mas não muito forte. Sente-se que está frio, mas não dentro de casa. O céu está todo cinzento, mas não carregado de escuro.
As janelas estão embaciadas, mas permite ver difusamente o que se passa lá fora.

Vejo o verde da relva intenso e os meus quatro pinheiros estão forrados a castanho escuro no lado em que a chuva bate directamente na casca dos troncos. Vejo as copas das árvores a abanar gentilmente.

Acabei de comer pão acabado de fazer na máquina e ao meu lado tenho o meu copo de leite de soja vazio, mas ainda quente ao toque.
O Miles está sentado a olhar para mim e o Mahler está a dormir encostado à bateria do pc a aproveitar o calor que dela irradia. A cauda dele abana suavemente quase imperceptivelmente. Ambos estão ao alcance da minha mão para uma festa.

Naturalmente a música está presente. Para estes dias gosto de escolher jazz lento, lírico, reflexivo. Usualmente vou buscar uma formação muito clássica de jazz. Piano, contrabaixo, bateria.
Gosto muito do trompete mas a minha colecção é variada neste tipo de trio. Oscar Peterson, Bill Evans, Keith Jarret, Tord Gustavesen, Stefano Bolani e Benedikt Jahnel são alguns dos nomes que poderão tocar na minha sala até ao final do dia.

Chamei ao palco da minha sala em primeiro lugar a minha mais recente aquisição, o trio do pianista (e matemático) alemão Benedikt Jahnel.
O contrabaixista, António Miguel, é espanhol e o baterista, Owen Howard, é canadiano.
Eles vão tocar Equilibrium.
Suave, delicado. Fluido. Evocativo. Cheio de serenidade. Cheio de silêncios. Que são sagrados... :)





Entretanto o Mahler continua deitado sobre a bateria do pc e o Miles anda pela casa a falar sozinho. O vento parou.


sábado, 9 de fevereiro de 2013

uma música para o fim de semana- Rui Veloso e Luís Represas


Faltava a terceira a vez.
A primeira foi com Expensive Soul, a segunda em parceria com Carlos do Carmo e agora o amigo escolhido por Rui Veloso para tocar com ele para a Esteira neste fim de semana é Luís Represas.

Os três temas são do álbum Rui Veloso e os Amigos, o mais recente trabalho do pai do rock.
Cada vez que escolho Rui Veloso para uma música para o fim de semana, fico na dúvida se é por Rui Veloso ou se é pela letra de Carlos Tê.

Gosto imenso das vozes de Rui Veloso e Luís Represas, já ambos passaram por aqui na Esteira. É um dueto de gigantes.
Mas para hoje e muito provavelmente algures num outro fim de semana, é claramente a letra de Carlos Tê o critério da escolha.
A letra de Má Fortuna é um pouco triste, mas é bonita. É a história de quem carrega um fardo pesado, de alguém que solitário na estrada da vida, carregando uma mochila e a fatalidade nos seus ombros e que com uma caneta, oscilando entre o azar e uma má decisão, vai cantando os seus estados de alma.

Para além das vozes do Rui e do Luís, Rão Kyao mesmo no fim do tema também dá uma perninha. Ou melhor, uma flautinha. E fica muito, muito bem no retrato.


- Má Fortuna -

No cabo de Guardafui
vou guardando bons ventos
tiro a pena da mochila
E assento meus pensamentos.

Às voltas com o seu fadário
um simples soldado raso
tomai lá meu secretário
e guardai bem este meu caso

Só me deu p'ra dizer que não
em tempo de dizer sim
também na mesma moeda
o mundo me paga a mim

Como este cabo tão triste
pedrogoso e sem verdura
assim minha vida existe
marcada p'la desventura

Pergunto à musa porquê
pergunto aos deuses nos céus
todos me dizem que é só
má fortuna e erros meus

Se baixo o amor à taberna
e depois o subo em soneto
ele arde em mim como dois lumes
um é branco e outro é preto

Assim ando estrada fora
como um bardo vagabundo
desisti de ver a hora 
de ficar bem com mundo

No cabo de Guardafui
guardei os meus pensamentos
ponho a mochila às costas
pois já sopram melhores ventos

Como esse cabo que existe
à tristeza condenado
também a má fortuna insiste
em andar sempre ao meu lado

Pergunto à musa porquê
Pergunto a vós que ouvis
também achais que um poeta
só é bom quando infeliz?


Bom fim de semana :)





quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

um felino na casa de um dog lover


Exactamente há um ano, poucos meses depois de o Thor ter partido, entrava pela minha porta dentro e pela primeira vez na minha vida um felino, o Miles.
Assim, em vez de pêlo de cão na carpete tenho agora pêlo de gato na roupa e deixei de ouvir um latir atrás da porta quando a abria para ouvir um miado à janela da minha casa quando ele me vê a chegar.

Passei a ter um gato que quando estou na cozinha impede a utilização do lava louça porque é de lá que ele vê o que se vai passando.
E estou sempre preparado para que de um momento para outro utilize a minha casa para uma corrida de obstáculos com alguns deles a serem derrubados ou como uma pista de aceleração quase sempre descontrolada entre a minha sala e a porta de entrada.
Agora já sei que quando subo as escadas para o meu quarto tenho que ir pela direita, e quando as desço tenho que ir pela esquerda, porque o outro lado é para o felino que passa por mim sempre a correr com a cauda bem ao alto ao mesmo tempo que vai "falando" comigo.

Aprendi que ele vê insectos que nenhum de nós consegue ver, mas que pelo sim pelo não, vai caçá-los e que quando come as bolinhas de ração, estas têm que ser emboscadas com todo o cuidado não vão elas fugir espavoridas quando o pequeno e perigoso felino se aproxima delas para as devorar.
Qualquer lata que eu abra pensa sempre que é para ele e quando não é, ele tem que ter a certeza disso. Quanto a compras, essas, só podem ser arrumadas depois serem verificadas uma a uma.


Fiquei com o Miles estava ele a passar um mau bocado na vida.
Abandonado, com cinco meses, estava exposto ao frio ríspido de Fevereiro a viver numa bomba de gasolina e andar por entre rodas de carros e camiões. Estava muito magro, débil e sofria de coriza severa. Estava quase cego de um olho e tinha uma forte infecção pulmonar.
Recuperou de tudo isso.

Agora com cerca de um ano e meio de vida, o Miles aburguesou-se.
Tem um lombo que mostra que a vida lhe corre bem, que o frio e a fome.já não passam por si. Não precisa de se aquecer por debaixo de carros, entre pneus e tubos de escape e de cheirar o chão há procura de algo que se coma. Há muito que tem a sua própria caixa de cartão forrada com uma pequena manta.
É um gato meigo, de olhos vivos e bem atentos. É extrovertido, travesso, infinitamente curioso e muito irrequieto.

E melhor que tudo isto, anda sempre ao meu lado, tem um motorzinho dentro dele sempre pronto a ronronar e à noite o melhor sítio que ele tem para dormir é a... minha cama.

Para mim que sou um dog lover, ter um felino em casa é muito, muito fixe :))).


P.S - não tenho nenhuma fotografia actualizada do bichano, assim que a tiver aviso ;)