sábado, 2 de fevereiro de 2013

uma música para o fim de semana - Miguel Calhaz


Uma voz, um contrabaixo e uma letra simples. 
É esta simplicidade que mais gosto desta canção de Miguel Calhaz.

Miguel Calhaz e o seu contrabaixo de aspecto bem surrado vêm bem do interior do país, Sertã.
Tem origens no jazz e na world music. 
Fez o circuito dos bares pela Sertã e Guarda e quando a Antena 1 fez do seu primeiro álbum, disco da semana, Miguel Calhaz ganhou projecção.
Cantautor, ele escreve, compõe e canta as suas próprias canções.

É castiça a maneira como ele utiliza a caixa do contrabaixo como um instrumento de percussão.
A sugestão para este fim de semana, dá o título ao seu álbum - Estas Palavras.


Nestas palavras guardo testemunho que te vou cantar
tão longe ou cada vez mais perto de te poder alcançar.

E nos meus braços com os teu finos traços tu te vens deitar
prazeres terrenos de aromas amenos na pele a brilhar.

Voa meu anjo sobre este inferno de fogo a escaldar
formas helénicas em poses cénicas do esplendor.

Retratos vivos dessa grande incógnita chamada amor.
Nestas palavras guardo testemunho que me cala a dor.


Bom fim de semana :)




quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

bloco de notas


No pequeno bloco de notas roçado pelo uso e por entre folhas desenhadas até à exaustão, o menino encontrava sempre espaço para mais um desenho.
Aquele bloco de notas era a única prova material que o avô tinha existido para além da sua memória. Por isso ele amava aquele bloco.
Voltava sempre a ele quando precisava de fugir. Preso à cama, os seus desenhos eram escapes para a realidade imaginada, permitiam-lhe viver coisas simples. O mar, o sol, o vento, a chuva no rosto.

Intermitentemente o aviso sonoro disse-lhe que algo estava a correr mal. Não ficou preocupado. Sempre esperou que um dia o ouvisse em contínuo.
Como sempre nessas ocasiões fechou o bloco de notas e ao seu lado arrumou o lápis de cor amarela. Pôs a sua mão esquerda sobre a capa macia do pequeno bloco e esperou.

Talvez fosse desta. Precisava só de mais uns segundos, uma eternidade para ele. Começou a sorrir.
Quando a porta se abriu de rompante e se debruçavam sobre ele, já o menino tinha pedido outro bloco de notas ao avô.


Inkheart


quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

série "Vencedores" - Garret McNamara





Os que surfam as grandes ondas são conhecidos por big wave riders. Eles surfam ondas cuja altura se mede sempre acima da dezena (ou dezenas) de metros.
Sempre que os vejo surfar uma "bicha" dessas pergunto-me como será fazê-lo?
Como será ter toneladas de água atrás de nós? Como será surfar até ao fim de uma delas? Como será sermos apanhados por uma? Como será tocar no seu ventre líquido? Como será ouvir o seu rugir?

Garret McNamara é um desses big wave riders. Com 46 aninhos já viu e experimentou muitas ondas desse género. Sabe de cor e salteado todas as perguntas que se possam fazer que comecem por Como será...
No ano passado, na nossa Nazaré bagteu o recorde mundial ao surfar uma onda bem acima dos vinte metros de altura. Esta semana pode ter batido essa mesma marca, no mesmo sítio, ao surfar uma onda que poderá estar acima dos... trinta metros!


terça-feira, 29 de janeiro de 2013

a maior do mundo!


Garret McNamara did it again! 
Tal como há um ano, o surfista havaiano voltou à Nazaré, à Praia do Norte, para surfar a maior onda do mundo.
Desta vez parece que a onda terá sido maior que a do ano passado. Peritos estão a certificar a altura da onda.
Se for verdade, o recorde da maior onda do mundo surfada voltou ontem ser a batido. A do ano passado foi avaliada oficialmente em cerca de 27.5 m e desta vez tudo aponta para uma parede de água com mais de 30m de altura!

McNamara é aquele pontinho do lado direito da fotografia que traça a onda.





sábado, 26 de janeiro de 2013

uma música para o fim de semana - Rui Veloso e Carlos do Carmo


Gosto particularmente da letra de Os Velhos do Jardim ou não fosse ela do grande, do enormíssimo Carlos Tê.

Atrai-me pensar que os velhos que com a sua sabedoria, com a sua observação e escrutínio do que se vai passando no jardim, vão dando do alto dos bancos, o seu aval ao universo.
Guardiões do Grande Livro do Conhecimento perante quem o Universo se curva em respeito e acata as suas decisões e conselhos.

No fim, tudo tem um fim, até mesmo para os velhos do jardim, quando estes partem para o descanso, o universo reconhecido pelo cumprir da sua missão, encarrega os elegantes e belos cisnes de serem os seus veículos. É justo :).

Os Velhos do Jardim, uma música em tons de blues, pertence ao mesmo trabalho de Rui Veloso (Rui Veloso e amigos) onde faz duetos com os amigos que foi fazendo ao longo dos seus trinta anos de carreira.
É a segunda vez que recorro a este cd. A primeira vez foi aqui, com os Expensive Soul, agora é com Carlos do Carmo.
E diz-se que não há duas sem três...


Quando o sol sobe no céu,
chegam ao jardim os velhos,
honoráveis presidentes
dos bancos de pau vermelhos

Analisam movimentos,
conferem as florações,
medem o canto das aves,
dão aval às estações.

Não há nada no universo
Que aconteça sem o não e sem o sim
dos velhos do jardim

Depois, chamam os pombos...
de pão e milho dão festins
e os pombos falam com eles
na língua dos querubins.

Quando a tarde se despede,
voltam de novo a ser velhos,
seguem o rasto do sol,
no lago feito de espelhos.

Não há nada no universo
que aconteça sem o não e o sim
dos velhos do jardim.

O dia vai-se acabando
no seu lento e frio afago,
um dia vão subir ao céu
montados nos cisnes do lago

Não há nada no universo
que aconteça sem o não e o sim
dos velhos do jardim.


Bom fim de semana :)