sábado, 12 de janeiro de 2013

uma música para o fim de semana - Rão Kyao


Rão Kyao, é talvez um dos poucos músicos portugueses que desde muito cedo soube criar, verdadeiramente um som próprio, único e que o identifica de imediato.

As suas raízes musicais curiosamente estão num género do qual Rão Kyao se afastou progressivamente, o jazz e num outro instrumento de sopro bem distinto do que o agora o caracteriza: o saxofone.
É na década de 70 do século passado, quando viaja para a Índia que toma contacto com a música e cultura deste país e é também quando toma contacto com o seu instrumento de eleição, a flauta bansuri feita de bambu.

Quando oiço Rão Kyao e a sua flauta de bambu, a impressão que eu tenho da sua música é que é algo refrescante. Algo que rejuvenesce, que quase tem o poder de cura, não por convidar à reflexão ou à meditação, mas porque é positiva, boa onda.

A música para este fim de semana, Depois de um Sonho, é o tema de lançamento e também o que abre, o seu mais recente trabalho - Coisas que a Gente Sente, lançado em Novembro do ano passado.

Ouvir Depois de Um Sonho, uma música de forte cariz popular, é algo muito fixe, algo... refrescante. :)

Uma última nota. O verdadeiro nome de Rão Kyao é...João Maria Centeno Gorjão Ramos Jorge. Até arrepia ;)


Bom fim de semana :)





quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

queda



queda

afundo
muito fundo
num poço sem fundo

caio
atraio
vertigem de um raio

a verdade
sem unidade
falhou a realidade

incapaz
mas voraz
as memórias me traz

num sentir
sem desistir
de querer fugir

escapar
para buscar
a vontade de sonhar

paro em mim
penso sem fim
enfim.


Inkheart


sábado, 5 de janeiro de 2013

uma música para o fim de semana - Camané e Dead Combo


Quando vindo do nada, desperto por algo desconhecido, o nosso passado surge à frente dos nossos olhos, de mãos dadas com as memórias passadas e alheados ao que nos rodeia, ele nos faz parar ou estugar nervosamente os nossos passos,

Quando esse algo nos faz dar voltas na cama, nos impele de uma cadeira como uma mola tensa ou como animais enjaulados andamos de um lado para outro num cego desatino,

Quando precisamos que as vozes interiores e exteriores se calem, que o mundo abrande a sua rotação em roda louca e que os suspiros soltos abrandem a sua inusitada cadência,

Quando o nosso coração bate de uma maneira que custa acreditar que mais ninguém o oiça e sabemos que a sua próxima batida vai soar grave, acelerada e fora do ritmo, isso é... Inquietação.


José Mário Branco sabe isso como ninguém.
Inquietação na versão original é escrita e cantada por ele, mas para este fim de semana, escolho uma versão na voz profunda de Camané em colaboração com os Dead Combo. Uma versão gravada para e a pedido do canal Q, o canal das Produções Fictícias.

Podem fazer o download gratuito desta canção aqui.

Bom fim de semana :)




A contas com o bem que tu me fazes
A contas com o mal por que passei
Com tantas guerras que travei
Já não sei fazer as pazes.

São flores aos milhões entre ruínas
Meu peito feito campo de batalha
Cada alvorada que me ensinas
Oiro em pó que o vento espalha.

Cá dentro inquietação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda.

Há sempre qualquer coisa que está para acontecer
Qualquer coisa que eu devia perceber
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda.

Ensinas-me a fazer tantas perguntas
Na volta das repostas que eu trazia
Quantas promessas eu faria
Se as cumprisse todas juntas.

Não largues esta mão no torvelinho
Pois falta sempre pouco para chegar
Eu não meti o barco ao mar
Pra ficar pelo caminho.

Cá dentro inquietação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda.

Há sempre qualquer coisa que está para acontecer
Qualquer coisa que eu devia perceber
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda.

Cá dentro inquietação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê, não sei
Mas sei
É que não sei ainda.

Há sempre qualquer coisa que eu tenho que fazer
Qualquer coisa que eu devia resolver
Porquê, não sei
Mas sei
Que essa coisa é que é linda.


terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Feliz 2013!


Especialmente para todos os que passam por aqui :)))




P.S. - aqui entre nós, confesso que estou desconfiado deste ano :/


sábado, 29 de dezembro de 2012

uma música para o fim de semana - Bernardo Sasseti


Despeço-me de 2012 com a música de alguém que partiu este ano e que já aqui referi: Bernardo Sasseti.

Sinto a falta dele. Identifico-me com a sua música.
Gosto do lado meio arrastado, por vezes sombrio e repassada por solidão que ela contém. Muito intimista e sempre muito elegante.
Tal como a poesia de Fernando Pessoa, tenho com aquela sensação que as suas músicas foram compostas para mim, para a minha sala e para o meu sofá.

É uma música que tanto pode ser inquieta e angustiante como simultâneamente maravilhosa. O denso tema Noite composto para o filme Alice é para mim o exemplo máximo desta dualidade e pessoalmente talvez o tema mais bonito dele.
Poucos músicos como Bernardo Sasseti são capazes de tocar o silêncio como ele.

Para o último fim de semana de 2012, elejo Petit Pays do seu trabalho Livre, editado pela Cleanfeed em 2004. É um tema sereno e cristalino.

É fácil imaginar um pequeno e tímido ribeiro a passar tranquilamente pelas margens e fluindo pelas pedras. Sem grandes quedas, estrondos, barulhos ou salpicos.
Aquele tipo de ribeiro cuja água límpida nos convida a olhar sem ver. Aquele cantinho escondido, aquele segredo tão e só nosso a que voltamos quando precisamos de lavar a alma ou quando esta precisa de um tónico por se encontrar pesada e obscurecida pela vida.


Bom fim de semana e de caminho um feliz 2013  :)