sábado, 15 de setembro de 2012

uma música para o fim de semana - Gaiteiros de Lisboa


Se o que caracteriza uma canção de intervenção é o seu cariz claramente popular, a subtileza da letra e a mensagem escondida por entre segundas intenções, então Avejão dos Gaiteiros de Lisboa é tudo isto.

Os Gaiteiros de Lisboa já existem desde 1991, mas o seu primeiro álbum, Invasões Bárbaras, só viu a luz do dia em 1995. Dezassete anos depois lançaram em junho deste ano, o sexto trabalho do grupo, Avis Rara de onde é retirado a música para este fim de semana, Avejão.

São irreverentes quer nas músicas, quer nas letras. São senhores de uma sonoridade muito distinta, fruto dos instrumentos que tocam. Muitos deles inventados ou reinventados pelo próprios Gaiteiros, artesãos da sua música.

No dia em que a população sai à rua para manifestar o descontentamento contra troika e contra as novas medidas de austeridade desse grande passarão que é o Passos Coelho e seus acólitos, esta canção, uma sátira ornitológica ao poder que nos governa, vem com bom timing.
Atenção à parte final do tema onde é descrito o desfile das aves de rapina, os esquadrões falcão e abutre.

E como Carlos Guerreiro termina - Qualquer semelhança com a realidade não é pura coincidência.

Avejão está em registo ao vivo - participação dos Gaiteiros de Lisboa no Festival de Música Intermunicipal de Músicas do Mundo (Festim) - mas na versão original este tema conta com as vozes de Sérgio Godinho, um colaborador regular dos Gaiteiros de Lisboa e de Armando Carvalhêda que na versão ao vivo não surgem.


No reino das trepadoras,
o papagaio é senhor.
Mesmo até sem saber ler, 
qualquer papagaio é doutor

Voar mais alto que os outros,
esse era o sonho do galo.
Roubar as asas ao Pégaso
e voar como um cavalo.

Mas o galo de ser galo,
é ter o chão junto à barriga.
Para chegar ao poleiro, 
tem que usar muita intriga

No reino dos voadores, 
impera a grande anarquia.
A barata voadora,
já tem lugar de chefia.

A passarada oprimida, 
só deseja que isso mude.
Mas as aves de rapina, 
cada vez têm mais saúde.


Bom fim de semana  :)






Por curiosidade fui ver o significado da palavra avejão
Pelo que encontrei, pode significar um homem alto, corpulento e feio ou ser o aumentativo de ave e também pode significar uma visão ou um fantasma.


sexta-feira, 14 de setembro de 2012

catvertising


A divulgação dos negócios naturalmente sempre passou pela publicidade, mas agora parece que cada vez mais também passa pelos...gatos.

Cats rule ;)




terça-feira, 11 de setembro de 2012

11 anos - os cães do 9/11


A propósito dos ataques do 9 de Setembro de 2001 muito se falou e escreveu sobre o heroísmo das pessoas que estavam na altura nas torres do World Trade Center.

Falou-se dos bombeiros, falou-se dos polícias, dos voluntários, das pessoas anónimas.
Mas pouco se fala e menos se conhece sobre os cerca de 100 cães que trabalharam no Ground Zero.


Moxie, 13 anos


Estes cães e respectivos companheiros foram os primeiros a chegar ao local. Eram cães de busca e salvamento na tentativa, quase sempre vã, de encontrar sobreviventes nos escombros das torres após o seu colapso.


Tuff


Tal como os seres humanos que trabalharam nos primeiros dias, também eles sofreram com o ar quase irrespirável e contaminado do local, tendo desenvolvido problemas respiratórios e igualmente feriram-se nos detritos das torres gémeas.

E também eles trabalharam muito e descansaram pouco.

Não só fizeram buscas como reconfortaram quem lá estava, de uma maneira que só os cães sabem fazer.


Bretagne


Incrivelmente os cães de busca e salvamento estão sujeitos à depressão.
Quando estão muito tempo sem encontrar sobreviventes ou apenas encontram mortos, eles ficam deprimidos.
Têm que ser retirados do local e acarinhados. É necessário brincar com eles para poderem relaxar e descomprimir. Depois disto ficam aptos a voltarem às buscas.
Alguns dos cães estiveram em acção no terreno quase duas semanas consecutivas.


Guiness, 15 anos

Charlotte Dumas é uma fotógrafa holandesa, conhecida pelas suas fotografias de animais e particularmente de cães.
Ao ter uma ideia para um projecto, fotografar cães militares na reforma, recordou-se que podia fazer um projecto semelhante com os cães que participaram nas buscas dos ataques às torres do WTC no 11 de Setembro.


Tara, 16 anos


Descobriu que dos cerca de 100 cães que estiveram no Ground Zero, apenas 15 estavam ainda vivos. Quando iniciou este seu trabalho, três viriam a morrer antes de os fotografar.

Todos eles estão envelhecidos, contudo os seus focinhos são nobres e meigos. Alguns continuam com os seus companheiros de sempre, outros têm donos diferentes, mas todos são bem tratados.


Red, 11 anos


Com as fotografias dos cães sobreviventes, Charlotte pretende prestar homenagem e mostrar ao mundo a importância e o papel decisivo que estes animais tiveram nas buscas e salvamento nas Torres do World Trade Center, assim como em outros locais atingidos por catástrofes, sejam elas naturais ou não.

Este projecto fotográfico que Charlotte desenvolveu foi por ocasião da passagem dos dez anos dos ataques terroristas do 11 de Setembro.


Bretagne, descansando com a sua companheira de busca


Cães de busca e salvamento no Ground Zero



Mais fotografias dos cães do 9/11 aqui.


sábado, 8 de setembro de 2012

uma música para o fim de semana - Gimba & os Bandidos


Todos os anos recebe cerca de 5 milhões de turistas. Para quem a conhece, não fica surpreendido e sabe que é assim.
Sente-se que deu um passo em frente. Para além de portuguesa é também do resto do mundo. As línguas que se ouve, as cores e os trajes de quem lá vive e por lá viaja, dizem-nos isso.

Quando viajo e me cruzo com alguém que me pergunta como ela é, digo que é uma cidade user friendly. É uma cidade fácil, simpática e acolhedora. Digo que tem sol, mar, cultura e a que a sua gastronomia é uma das melhores da europa.

Pode não ser tão exuberante como Paris, tão monumental quanto Roma ou cultural quanto Londres, mas consegue ter um pouco de todas estas personalidades, numa saborosa e muito desejável esquizofrenia.

Ao azul do céu mistura o branco e preto das calçadas, ao chiar dos eléctricos nos carris contrapõe as vozesv dos vendedores ambulantes. 
É rasgada por avenidas largas cheias de comércio de luxo, mas nas suas entranhas envelhecidas, nos becos e ruelas dos antigos bairros encontramos os negócios familiares e cafés de esquina, onde a conversa rola ao som de um copo a bater num castigado e encardido tampo de mármore.

Gimba, um antigo membro dos Afonsinhos do Condado, dá-nos na música para este fim de semana as coordenadas desta cidade maravilha: 38º N 9º Oeste.
Procurando num mapa descobrimos o seu nome: Lisboa.


Eu ando assim eu ando assado
Eu ando bem em todo o lado
E quase sempre
Eu ando assim meio a leste
Porque ando 38 a norte, sim ando 9 a oeste.

Eu ando pelo mundo
O mundo já bateu no fundo
Está doente, anda a chocar uma peste
Mas eu não vivo aqui à toa
Vivo a namorar Lisboa
E a dizer: eh pá, Lisboa é "the best"


Bom fim de semana :)





quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Marcelo Mendes I


Marcelo Mendes é toureiro e cavaleiro. 
É um daqueles que se diverte a espetar bandarilhas e ferros no lombo de um touro. Um touro que já reduzido a farrapos antes de ser lidado porque esta gentinha não tem coragem de enfrentar um touro em toda a sua pujança.

Para mostrar toda a sua coragem, este projecto falhado de homem, investiu com o seu cavalo contra manifestantes anti-tourada, que protestavam contra o sacrifício e tortura de um ser vivo.

Se esta criatura de inteligência muito limitada que dá pelo nome de Marcelo Mendes, tivesse bandarilhas nas suas patas, ele ainda as teria espetado também nos lombos das pessoas que defendiam a vida de um touro.
E ainda acreditaria que não provocaria sofrimento nas pessoas. 

Porque este calhau com olhos e estúpido que nem uma porta - espero que as portas me desculpem pela comparação - disse numa entrevista à televisão que quando espeta bandarilhas e ferros num touro enfraquecido por diarreias provocadas por laxantes, desidratado por não lhe darem água dias antes da lide e exausto por hemorragias que lhe são provocadas durante a lide, não provocam sofrimento neste imponente animal.

Também provou que a tourada e todos os bandalhos que a praticam, de valentes não têm nada.
Este covarde cavaleiro que se chama Marcelo Mendes precisou de usar uma arma, o seu cavalo, para afugentar os manifestantes. 
Se fosse homem, que não é, este ser primitivo e que se veste como um criado de Luís XIV, teria descido do seu cavalo e enfrentado sozinho os manifestantes.

Mas não foi surpresa. A tourada é uma violência e é praticada por pessoas violentas, que infelizmente não têm ponta de cérebro naquela cabeça.
Se o tivessem, não seriam toureiros nem defenderiam uma prática bárbara e medieval.