segunda-feira, 30 de julho de 2012
domingo, 29 de julho de 2012
compra de fim de semana - Anouar Brahem
Gosto do conceito de world music. Em sentido lato é toda a música que não é categorizável segundo uma classificação, rock, pop, clássica, jazz, blues, por aí fora.
Assim world music, é uma música com sonoridades diferentes, escalas, timbres de vozes diferentes. Tem uma forte componente étnica, frequentemente afastada da cultura ocidental.
Está ainda associada ao conceito de fusão, música que une culturas e musicalidades de origens distintas.
Na mesma filosofia e por extensão à world music, existe o world jazz.
Stan Getz é conhecido por ter ajudado a nascer a bossa nova, jazz ao som do samba, Django Reinhardt por ter unido os sons ciganos ao mundo do jazz, Ravi Shankar por ter trazido as distintas sonoridades da cítara indiana e Jan Garbarek por divulgar os sons e folclores nórdicos por intermédio do seus saxofones e flautas.
O alaúde do tunisino Anoaur Brahem junta-se a este grupo. Em Thimar, as paisagens, os sons quentes do médio oriente e os mistérios do norte de África estão na ponta dos seus dedos.
A sua música é expressiva, muito contemplativa e carrega em si muito dos fascínios que habitualmente as culturas árabes encerram.
Dois grande nomes do jazz mundial acompanham Anouar Brahem nesta viagem, o contrabaixista Dave Holland e o saxofonista John Surman
Sempre que o saxofone ou o clarinete baixo de Surman se fazem ouvir ou entram em diálogo com o alaúde, algo de muito especial acontece. É o diálogo perfeito entre dois instrumentos que representando excelentemente as diferenças culturais do ocidente e do médio oriente acabam por se desvanecer e tornam-se uma única, a da música universal.
Waqt, a quinta faixa do álbum e que significa tempo em árabe, é inteiramente tocada por John Surman. Lenta e arrastada como uma oração lançada ao ar numa noite estrelada. Um solo sublime.
E se quisermos brincar com os significados das faixas diria que a segunda, Kashf, cujo significado pode ser intuição como pode ser descoberta do que não se conhece, do que não se viu, é o termo certo para se entrar no mundo encantado de Anouar Brahem.
A faixa que abre Thimar é Badhra, cuja tradução do árabe é lua cheia, demonstra bem todo o espírito evocativo que este mestre do alaúde colocou no seu trabalho e que é tão bem secundado pelos seus companheiros de trio.
A propósito, Thimar significa fruta.
sábado, 28 de julho de 2012
uma música para o fim de semana - Vitorino
Parece que a Leitaria Garrett surge na Rua Garrett e no nº 46 em Lisboa nos anos 20 do século passado.
Fechou as portas em 1982 e actualmente esse espaço está agora ocupado pela "boutique" St Tropez Kiwi.
Irmão de Janita Salomé, Vitorino Salomé Vieira, Vitorino para os amigos e um frequentador assíduo da leitaria, lugar conhecido por ser frequentado por artistas e pelas suas tertúlias, tornava famosa a Leitaria Garrett ao cantá-la no álbum homónimo de 1984.
Quase, quase a fazer trinta anos, esta canção é uma das minhas preferidas de Vitorino e a música mantém intacta toda a sua frescura.
Voltei a mergulhar fundo no baú das memórias ;)
Leitaria Garrett dá cá o pé
Ai tira a mão, João,
Da coxa doce,
Já está, antes não fosse...
O Saricoté, foi parar à Marques
Lá prás Belas Artes...
Assim mesmo é que é !
(Diz o progresso)
Chá com torradas, João,
Prá onde é que eu vou,
Já fui, mas já não sou,
Linda mocidade, foi-se o sol embora,
Fica-me à saudade.
Bom fim de semana :)
quinta-feira, 26 de julho de 2012
terça-feira, 24 de julho de 2012
mesmo ao virar da esquina
Ainda não aconteceu, mas vai acontecer. Pode ser desconvocada mas sabemos que usualmente não é.
Foi assim que percebi as palavras que o ministro da economia alemão, Philip Rosler, numa declaração à televisão pública alemã ARD - a saída da Grécia do euro é possível e já não assusta.
Mas também soaram a vampirismo, como se esta já tivesse sido sugada pelos seus cre(preda)dores e pronta para ser largada.
O FMI confirma esta ideia, porque também já disse que as "ajudas financeiras" à Grécia podem cessar. Setembro é o mês anunciado.
Não tenho grandes dúvidas que Portugal seguirá o mesmo caminho. Um dia será "largado" e também sairá do euro. É uma questão de tempo.
Quando isso acontecer a Europa terá deixado atrás de si duas carcaças exangues e destruídas.
O fim do euro e da eurozona está cada vez mais ao virar da esquina.
Espanha caminha a passo largos para o resgate e previsivelmente a Itália será mais um vez uma questão de tempo. Serão mais duas vítimas da "solidariedade" europeia.
Só há algo que não percebo. Qual o interesse disto?
A Alemanha (tal como os países nórdicos e Holanda) no médio prazo sofrerá as consequências directas do fim do euro. Foram os países do sul da Europa, estes mesmos que ela está ajudar a dissecar que a alimentaram e a fizeram crescer. Ficarão sem a sua fonte de crescimento.
Com a saída do euro da Grécia, toda a europa do sul arrisca-se (certamente) a sair também.
A globalização tratará do contágio para a europa central e do norte. A confiança dos mercados financeiros nos esteios europeus estará (ainda mais) minada.
Muito recentemente a Moody's já veio avisar que, para além da França, países como a Alemanha, a Holanda e o Luxemburgo podem ver os seus AAA - nível máximo de confiança no pagamento da dívida soberana - em risco.
Após o caos inicial de mudança das suas moedas, estes países "expulsos", recuperarão a sua soberania, perdida com a adesão ao euro, e poderão de novo obter o controlo dos seus destinos financeiros.
Uma das coisas que provavelmente farão no imediato será proceder à desvalorização das novas moedas nacionais.
O que se prevê com este acto, será a valorização do novo marco alemão/ novo euro, se se constituir uma eurozona de elite.
Será que a Alemanha ou esse exclusivo clube VIP do euro, manterá ainda a sua competitividade com uma moeda tão cara depois do fim da moeda única?
Entretanto há quem diga para se ir enchendo a dispensa como produtos com prazo de validade posterior a 2013, e ir guardando alguns euros debaixo da cama durante o período de transição.
Para que se possa ter moeda para fazer pagamentos, porque o que estiver depositado, já não sairá de lá tão cedo.
É de esperar que quando o euro acabar, o governo não terá tempo, ou não terá sabido preparar suavemente o fim da moeda europeia.
O que não será surpreendente.
segunda-feira, 23 de julho de 2012
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