sábado, 23 de junho de 2012

uma música para o fim de semana - UHF


Se eu num esforço de memória tentasse recordar a primeira música portuguesa que me lembro de gostar, ou de ter sucesso muito provavelmente teria de recuar ao ano de 1980.
No meu baú das memórias, bem lá no fundo, encontraria UHF (Ultra High Frequency) com os Cavalos de Corrida.

Na altura, ouvia música principalmente através da rádio - os discos de vinyl eram poucos e a mesada não dava para comprar muitos :D - e "vivia" das ofertas e dos empréstimos entre amigos que aproveitava para gravar em cassetes virgens, onde ia arrumando o melhor possível, enrolando a fita com uma caneta ou lápis, um pouco para a frente um pouco para trás, as canções que gostava e que iam passando por lá.

Passados mais de  trinta anos, não sei onde é que está a cassete onde a tinha gravado, mas Cavalos de Corrida ainda é uma grande rockalhada.
Música rápida e frenética, com uma letra que passadas três décadas ainda continua a fascinar.




Entretanto na comemoração dos seus 34 anos de carreira - formaram-se em 1978 -  os UHF abrandaram os Cavalos de Corrida e em vez do frenesim da velocidade, estão agora na placidez de um piano minimal.
Resulta surpreendentemente bem, e a letra ganha uma outra dimensão e até visibilidade. mas o original é sempre... o original.


Agora é que a vida passa num flash e o paraíso é além
Agora é que o filme deste massacre é a rotina Zé Ninguém
Agora é que perdeste o juízo, a jogar esta cartada
Agora é que galopas já ferido, procurando abrir passagem

Agora, agora, agora, agora, tu és um cavalo de corrida, eh

Bom fim de semana :)




quinta-feira, 21 de junho de 2012

Verão




A única coisa que me agrada no verão é pensar que só faltam três meses para o Outono :)


Panteísmo

Tarde de brasa a arder, sol de verão
Cingindo, voluptuoso o horizonte...
Sinto-me luz e cor, ritmo e clarão
De um verso triunfal de Anacreonte!

Vejo-me asa no ar, erva no chão,
Oiço-me gota de água a rir, na fonte,
E a curva altiva e dura do Marão
É o meu corpo transformado em monte!

E de bruços na terra penso e cismo
Que, neste meu ardente panteísmo,
Nos meus sentidos postos, absortos.

Nas coisas luminosas deste mundo,
minha alma é o túmulo profundo
Onde dormem, sorrindo os deuses mortos!


Florbela Espanca

segunda-feira, 18 de junho de 2012

série "Vencedores" - Rui Costa


Rui Costa, tornou-se o primeiro português a ganhar uma prova do World Tour de ciclismo ao vencer ontem a Volta à Suiça.




talvez uma vitória pírrica


Parece que os gregos escolheram ficar no euro e parece que toda a gente na Europa, particularmente a frau Merkl, ficou feliz com isso.
Mas parece também que os gregos não sabem o que fazer para formar governo rapidamente com os resultados das eleições.

Mas soa a uma vitória pírrica. Os custos desta satisfação para a Europa pode sair mais caro do que se pensa.
A Europa perdeu uma oportunidade de se ver "livre" de um incómodo no euro, a Grécia.
Ela vai continuar a precisar de dinheiro para uma dívida que não parará de aumentar e que dificilmente será paga.
O risco de contágio e exposição dos restantes países à dívida grega aumenta, aumentando a instabilidade na zona euro e mais tarde ou mais cedo a Grécia sairá na mesma do euro porque a Europa (leia-se Alemanha) vai continuar a sufocá-la, apesar de previsivelmente de uma maneira mais lenta, para salvaguarda dos próprios interesses alemães.

De qualquer maneira a Grécia é um problema muito difícil de gerir e está para ficar, porque mesmo fora do euro, precisará sempre de financiamento europeu, directa ou indirectamente.
Porque se não for esta a emprestar, será o FMI, onde naturalmente está a... Europa.

De qualquer maneira o facto de a Grécia de quase ter lançado a Europa para o caos - uma ameaça ainda presente - pode ter sido o abanão que a politica europeia precisava para repensar toda a filosofia do euro e assim salvá-lo.




sábado, 16 de junho de 2012

uma música para o fim de semana - A Naifa


A Naifa nasceu um 2004 pelas mãos de João Aguardela e Luís Varatojo.
Sobre a sua batuta A Naifa edita três álbuns: Canções subterrâneas, 3 minutos antes de a maré encher e Uma inclinação inocente para o mal.

Por isso quando em Janeira de 2009 João Aguardela morre de cancro no estômago, a banda tremeu.

Numa decisão pensada, a Naifa resolveu partir em frente e editar o seu quarto álbum - Não se deitam comigo corações obedientes - com material novo e não com o que já existia, deixado por Aguardela.

Para ser um recomeço e não uma manta de retalhos incoerente, explica Luís Varatojo ou segundo Mitó Mentes (Maria Antónia Mendes), a vocalista, "é um disco de luta e não de luto".
O facto é que o tom do álbum é trespassado por uma certa dolência e melancolia.

Para este fim de semana, estive indeciso na escolha da música, existem dois temas deste álbum que gosto muito, mas não sabia qual deles iria sugerir.

Um é mais conhecido é o que passa mais frequentemente nas rádios e é também aquele tem a letra mais acessível - Gosto da cidade.

O outro, Émulos, menos conhecido, tem uma letra mais crua e fria. É um tema mais urbano e tem mais noite no seu interior.
O cinzento claro da voz de Mitó Mendes cativa-me imenso nesta canção.

Opto pelo segundo tema - Émulos


Bom fim de semana :)


Foi como amor aquilo que fizemos
sem manhã sujeitos ao presente;
os dois carentes
foi logro aceite quando nos fodemos.

Foi circo ou cerco, gesto ou estilo
o termos juntos sexo com ternura
Foi candura
num clima de aparato e sigilo.

Num clima de aparato e sigilo
Num clima de aparato e sigilo

Se virmos bem
Ninguém foi iludido
de que era a coisa em si - só o placebo
com algum excesso
com algum excesso que acelera a líbido.

E eu palavrosa injusta concebo
o zelo de que nada fosse dito
e quanto quis
e quanto quis tocar em estado líquido.

Foi circo ou cerco, gesto ou estilo
num clima de aparato e sigilo
Foi circo ou cerco, gesto ou estilo
num clima de aparato e sigilo

Foi como amor aquilo que fizemos
os dois carentes
foi logro aceite quando nos fodemos.