Os Citânia são recentes na cena musical portuguesa, apresentaram-se ao público português em inícios do mês de Agosto
Se consultarmos a sua página oficial, vemos que Citânia remete para os povoados antigos romanos e pré-romanos, para os castros da Península Ibérica.
Mas segundo as palavras de um dos membros da banda, João Lopes, a música dos Citânia está longe de ser tão antiga quanto o seu nome sugere. Afirma que "é uma música que parte das raízes mediterrânicas, com influência árabe, flamenca e do nosso fado, a que electrónica dá uma coloração".
Na prática significa que Citânia cai naquela definição ambígua e muito abrangente mas muitas vezes deliciosa - que é o caso - de World Music, música do mundo.
O seu primeiro álbum chama-se "Segredos do Mar" e é lançado pelo tema que o encabeça - " A Vida é um Carrossel".
Foi a curiosidade que me levou a uma sala de cinema ver Cowboys & Aliens.
Num mesmo filme encontramos cowboys, aliens, o 007, o Indiana Jones, o realizador de Iron Man e o Steven Spielberg.
Com tanta gente famosa, pensei que alguma coisa de jeito haveria de sair.
Na verdade o filme sem ser nada de extraordinário até funciona.
Numa época (bem retratada) de cowboys chegam os aliens - que fazem as vezes dos índios que desta vez são deixados em paz - que para além do óbvio objectivo de nos estudarem também estão interessados em ouro.
Tudo começa quando Jake Lonergan (Daniel Craig) acorda de repente no meio do nada com uma estranha pulseira de metal no seu punho esquerdo e sem qualquer memória que possa evocar relativamente ao que lhe poderá ter acontecido.
É levado para cidade Absolution onde durante noite esta é atacada por aliens e algumas pessoas são raptadas, sendo este o ponto de partida do filme.
Um dos grandes méritos de Cowboys & Aliens é conseguir unir de uma maneira coerente e lógica, dois géneros que a priori seriam imiscíveis: o western e a ficção científica.
Naturalmente os efeitos especiais imperam são bons e discretos. Bem conseguidas são as lutas a cavalo dos cowboys com os aliens - que fazem lembrar os de District 9 - assim como a discreta nave destes que praticamente se funde com a paisagem onde está inserida.
Percebe-se que Jon Favreau navega apesar de tudo em águas que desconhece. Bom nas cenas de acção, não consegue no entanto captar a atmosfera do western e a sua paisagem, mal secundado pelo director de fotografia que não aproveita a grandiosidade dos cenários naturais. Compare-se por exemplo com a excelência dos cenários e fotografia de Indomável (True Grit) dos irmãos Coen.
Ter Harrison Ford e Daniel Craig no mesmo filme é uma espada de dois gumes. Se por um lado trás gente ao cinema curiosa por os ver juntos (o meu caso), mas por outro ao longo do filme não nos conseguimos abstrair das personagens que os tornaram famosos (Indiana Jones e James Bond).
Especialmente no caso de Daniel Craig que compõe um Jake Lonergan muito "Bondiano". Harrison Ford faz melhor na figura do autoritário e intimidante Coronel Dolarhyde. Olivia Wilde (Ellas Swenson) é uma alien de cara bonita, um pouco perdida ao longo do filme, cuja presença quase que se resume ao seu sacrifício final.
Cowboys & Aliens vale pela invulgaridade do argumento por unir dois universos tão dispares entre si como um western e a ficção científica e pela coerência que consegue manter ao longo de duas horas de filme.
É fácil ver que a cor do céu é azul, que a noite tem cor preta, que o nosso sangue é vermelho e por aí fora.
Mas... qual é a cor do Universo??
Quando li aqui esta pergunta, intuitivamente liguei a cor preta ao Universo. Afinal todas as imagens que nos chegam do Espaço têm essa cor. Como se o Universo fosse uma gigantesca extensão da nossa noite, um grande manto de veludo negro.
Mas afinal não. O Universo tem um cor própria bem diferente do negro. É uma cor média que resulta de todas as cores das estrelas. É bege.
Um bege clarinho que provavelmente muitos de nós terão nas nossas casas a pintar ou a forrar paredes.
Em inglês ficou com a designação oficial de Cosmic Latte após uma votação entre alguns nomes propostos.
Para cor do Universo até é bonita. É calma, serena e até convida à reflexão o que lhe fica bem, mesmo sabendo que Ele está longe de ser pacífico e que encerra em si algum dos fenómenos mais violentos que alguma vez o Homem virá na sua existência.
Mas para quem quiser perceber um pouco como foi determinado o Cosmic Latte pode ler em inglês aqui, aqui e em alguns comentários colocados no post inicial do astroPT.
Quando a semana passada coloquei A Marcha dos Desalinhadas dos Resistência, decidi logo que para esta semana iria colocar uma música dos Rio Grande.
À semelhança dos Resistência, Rio Grande é outro grande projecto que reuniu grande nomes da música nacional constituído por músicos oriundos de diversas bandas portuguesas: Rui Veloso, Tim, Jorge Palma, João Gil, João Monge e Vitorino.
A Fisga é o primeiro tema do álbum homónimo do grupo. Foi uma escolha fácil.
Sempre me atraiu o dilema que este jovem estudante enfrenta e a ajuda que pede ao seu mestre-escola.
O dilema entre a liberdade, os horizontes rasgados, a imaginação e o espírito livre simbolizado na fisga, ou o caderno dos deveres que encerra em si as obrigações, a clausura dos gabinetes mesmo quando ironicamente são chamados "open spaces", o pensamento formatado e as regras e obrigações que têm de ser cumpridas.
Não sei que conselho o mestre-escola terá dado ao jovem. Mas para o bem dele espero que tenha sido a correcta.
Caso contrário, um dia mais tarde estará numa reunião com um acta à sua frente a pensar numa fisga.
Nunca fui muito adepto do Capitão América.
Sempre o considerei excessivamente americanizado e afectado daquele patriotismo excessivo tão típico deste país.
Percebe-se melhor se o contextualizarmos historicamente.
Anos 40, segunda guerra mundial e posterior guerra fria, envolvência dos americanos no esforço de guerra e a propaganda americana do tipo "eles são maus, nós somos bons e alista-te porque te tornas um herói aos olhos da nossa pátria."
Mas mesmo assim continuo a não gostar do Capitão América.
Fui ver o Capitão América pelos capítulos anteriores que já tinha visto: Iron Man (I e II) e Thor. Estes filmes são também eles os capítulos conducentes ao filme que irá aglutinar todos estes heróis Marvel e mais uns quantos: The Avengers - Os Vingadores.
Portanto já não esperava grande coisa. Efeitos especiais razoavelmente interessantes - sem dúvida ver Chris Evans raquítico e encolhido em versão xs é o melhor que o filme tem para oferecer.
Outro momento bem conseguido do filme e dos poucos de Chris Evans, é a exposição ao ridículo que Capitão América é exposto quando entra em tournée num espectáculo, muito bem conseguido, de propaganda norte-americana. Sim, ele aparece em collants.
Como filme de acção, o experiente Joe Johnston cumpre os mínimos. Mas a narrativa é previsível, os diálogos não são propriamente os mais interessantes e como expectável os actores também não têm margem para se exibirem ao seu melhor.
Chris Evans (Capitão América) é igual a si próprio. Para quem viu os Quartetos Fantásticos sabe o que me refiro. Não consegue imprimir força e intensidade ao seu papel. Falta-lhe proximidade com quem o vê.
O usualmente interessante Hugo Weaving, falha redondamente e é caricatural no Caveira Vermelha, o mauzão do filme.
Com uma caveira vermelha de aspecto plastificada (a máscara que Jim Carrey usou em A Máscara de 1994 é mais atraente e bem desenhada) e a levantar os dois braços numa espécie de saudação dupla nazi é impossível levá-lo a sério.
Melhor que a média do filme está Tommy Lee Jones que compõe o coronel Chester Phillips, uma personagem cáustica e mal-humorada.
Quanto ao final, enfim, se não formos muito exigentes conseguimos viver com ele.
Se resumirmos Capitão América a um filme "domingueiro" ele serve, mas não augura nada de bom para Os Vingadores que estreará para o próximo ano.