quarta-feira, 10 de agosto de 2011

pilhando Londres


O que se está a passar em Londres não é revolução, descontentamento social e nem sequer é um protesto ideológico, seja ele de esquerda, de direita ou das respectivas extremas. É um vazio absoluto de ideias.
É pura destruição. Algo que não é remotamente útil para quem quer que seja.

As únicas consequências desta selvajaria cretina e ausência de civilização é em primeira instância para as comunidade locais, para os comerciantes e de quem vive das suas economias.
Depois, fará com que qualquer outra verdadeira e genuína manifestação de protesto social, seja em que país for, seja encarada com desconfiança e como uma potencial fonte de caos e destruição, e portanto fortemente policiada. Que por definição, é ela própria uma situação geradora de tensões.

Tentar justificar estes actos invocando argumentos políticos e económicos, só conduz à validação e desresponsabilização dos actos em si, é a promoção do vandalismo e da criminalidade pura e dura.
E aí sim correremos o risco de ver Paris a arder, Atenas a arder, Madrid a arder e por aí fora.






terça-feira, 9 de agosto de 2011

Grande Ecrã - Super 8


É uma mistura de ET com Goonies, com uma saltada evidente a George Romero (zombies) e uma pitada de pozinho romântico de Shakespeare (Romeu e Julieta).

A associação ao ET de Spielberg é inevitável.
Um extra terrestre quer voltar para casa e um grupo de crianças acaba por ajudar enquanto pelo meio estas enfrentam a incompreensão dos pais e um bando de mauzões com grandes meios militares.
Enquanto um queria telefonar para casa ou outro precisa de uma nave para voltar para casa.

Super 8 de J.J. (Jeffrey Jacob) Abrams, realizado e escrito por ele, parece ter como objectivo único prestar homenagem aos filmes do seu produtor Spielberg.
É talvez esse um dos seus maiores pontos negativos. Passamos todo o tempo a encontrar (para quem conhece) menções directas ou indirectas à cinematografia de Spielberg dos anos 80. Aliás temporalmente passa-se na mesma época de ET. Fins da década de 70, inícios de 80.
Desconhecer ET e Goonies é uma vantagem considerável para quem vê este filme.

Super 8 é quase um filme que vem de dentro de outro filme (terror com zombies) e que precisamente está a ser realizado por um grupo de crianças com uma câmara de super 8 - foi assim que Spielberg e J.J. Abrams começaram as suas carreiras.
A certa altura das suas filmagens o grupo vai para uma velha estação de comboio e assistem a uma colisão de um carro com um comboio que o faz descarrilar.
É talvez a melhor sequência de todo o filme. Muito bem filmada, rápida, espectacular e com grandes efeitos especiais (mas como é que carga de água um condutor resiste a uma colisão destas???).
Na fuga deixam cair a velha câmara que continua a filmar. Ao revelar o filme descobrem o que a fuga não lhes permitiu ver. Algo propositadamente vago e que parece ser um extra terrestre sai do comboio e rapidamente estranhos acontecimentos começam surgir um pouco por todo o lado.

 Alice Dainard (Elle Fanning) e Joe Lamb (Joel Courtney) dão o cheirinho romântico ao filme com tal toque Shakesperiano. Os respectivos pais, com questões não resolvidas e relacionadas com o passado, proíbem-nos de se relacionarem sob qualquer pretexto.
Cabe a esta dupla o melhor do filme, particularmente a cena em que Alice ensaia o seu diálogo na estação de comboio.
Uns bons furos abaixo dos filhos estão os seus "pais", Jackson Lamb (Kyle Chandler) e Louis Dainard (Ron  Eldard) que parecem perdidos e desligados dos seus papeis.

O final tem desenlace rápido e fácil para um filme que dura quase duas horas.
Tem a arte de esconder o extra terrestre quase até ao fim. Deixa lugar para a nossa imaginação funcionar e até ansiar vê-lo para ver se confirma o que imaginamos, mas nas cenas finais quando finalmente vemos o "bichinho" sabe a pouco e ficamos um pouco defraudados. Era preferível ficarmos sem sabermos como ele era. Tipo totem do Inception. Caiu ou não caiu?

Super 8 é um filme de aventuras e entretenimento, bom para ver num domingo - por acaso vi-o num sábado - o que não é muito para a dupla Spielberg/ Abrams e para o orçamento envolvido.

Um conselho para o pessoal mais apressado. Aguentem pelos créditos finais. O melhor do filme está nesses derradeiros minutos.




segunda-feira, 8 de agosto de 2011

para sempre Amy


Texto previamente publicado na revista de artes on line Textualino.


É fácil apontar o dedo a Amy Winehouse e chamar-lhe drogada e alcoólica. Em verdade estamos mesquinhamente, a apontar o dedo a nós próprios e às nossas imperfeições.

O problema de Amy Winehouse era ser conhecida à escala mundial, isto amplifica na mesma proporção as suas imperfeições e a dificuldade em lidar com elas.
É uma escala que nós dificilmente teremos que lidar. É a grande vantagem da mediania. Tudo o que somos e nos tornamos fica diluído no cinzento número da vulgaridade.


Com 27 anos, a idade com que Amy morreu, a maior parte de nós só é conhecido por uma dúzia de pessoas (família e amigos) e pelo nosso cão ou gato se tivermos a sorte de ter um.

Não sabemos o que é estar na voragem e pressão da indústria fonográfica para regularmente colocar discos cá fora, serem um êxitos para que o público possa avidamente comprar e dar dinheiro a ganhar às editoras.
Mas apesar de tudo talvez consigamos imaginar a destruição que as “más companhias” podem provocar em alguém que está mentalmente fragilizado ou que de repente se vê num meio, que de raiz talvez não pertença ou não se adapte.
É assim que vejo Amy Winehouse, uma rapariga pequena perdida num grande mundo. Alguém que precisava da paz e protecção de um abraço amigo e não de sugadores de vidas e dinheiro.

Tive, tenho e terei sempre um carinho muito especial por Amy. Era uma mulher muito bonita com uma voz ainda mais bonita.
O álbum Frank passou-me um pouco ao lado, mas o Back to Black atingiu-me em cheio. Não tanto por Rehab, mas por algumas faixas como Back to Black, Love is a Losing Game, Tears Dry on Their Own e ainda You Know I'm No Good.

Sempre me custou ver a degradação física que Amy atingiu e ainda mais vê-la “atropelada” por quem supostamente gosta de a ouvir, mas que provavelmente estaria lá na esperança, muitas vezes confirmada, de assistir a mais um triste espectáculo de decadência e humilhação em público de alguém que no fundo não queria, lutava e tentava não defraudar o seu público.

Para meu conforto gosto de pensar que Amy está em paz num sítio onde a sua voz pode ser admirada e aplaudida apenas pela sua pureza e dimensão.

Para sempre Amy.

sábado, 6 de agosto de 2011

uma música para o fim de semana - Amália Hoje


Definitivamente não sou fã de Amália - e agora vou ser blasfemo - e nem sequer penso que ela tivesse uma voz por aí além.
Mas sem dúvida que o projecto Amália Hoje, liderado por Nuno Gonçalves dos The Gift, fez um favor a Amália ao divulgar o seu nome e as suas canções, com novas roupagens, ao público mais novo que não teve um contacto directo com a fadista.

Gaivota foi o tema que divulgou o projecto, mas pessoalmente prefiro o tema Soledad fantasticamente cantado por Sónia Tavares.
Uma grande voz, um grande vídeo e um arranjo musical extraordinário.




quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Renault 4L - 50 anos


Tal como o VW Carocha, a ideia da Renault era desenhar um carro que fosse acessível para todos.
Segundo as palavras de Pierre Dreyfus, o presidente da marca francesa na altura, teria que ser "como as calças de ganga, versátil, moderno e que não passe de moda".
A 3 de Julho de 1961 nascia o Reanult 4L.

É o terceiro modelo mais vendido de sempre com mais de oito milhões de automóveis produzidos.
Ficou atrás do VW Carocha e do Ford T.



mulheres ;)


No Mónaco, um Bntley Azure de 285 mil euros chocou de uma só vez com quatro carros. Um Mercedes classe S, um Ferrari, um Porsche e um... Aston Martin.
Estima-se que os prejuízos totais atinjam os 45 mil euros.

Com tanto jeitinho para marcas e colidindo com quatro carros de luxo ao mesmo tempo, quem iria ao volante?
Uma mulher, claro. :D


segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Grande Ecrã - Hanna


De Joe Wright conhecia Expiação e o Solista. Gostei bastante do primeiro e aborreci-me com o segundo.
Foi com expectativa que fui ver Hanna. Era a primeira incursão deste realizador no cinema de acção.

Uma jovem rapariga criada e treinada numa floresta do ártico (norte da Finlândia) por um ex-agente secreto da CIA escolhe por vontade própria num determinado momento carregar num botão que irá revelar a sua posição.

A partir daqui desencadea-se uma perseguição ao pai (Erik) e à filha (Hanna), onde esta última irá revelar todo o seu treino e algo mais que desconhecia.

A questão é que Hanna não tem pernas para andar. Não pela realização, mas sim pelo seu argumento, o grande calcanhar de Aquiles deste filme.
Joe Wright, habituado a dramas, até filma de uma maneira interessante e consegue imprimir dinâmica ao filme, mas o argumento é muito mastigado.  Nunca chega a atingir a velocidade de cruzeiro.
É pouco esclarecedor e por vezes monótono.

Não se percebe por exemplo porque é que tem que ser Hanna a matar Marissa Wiegler e não Erik, quando é esta que mata a sua mulher e mãe de Hanna quando era criança.
As relações e o passado entre este "triângulo amoroso" constituído por Erik, Hanna e Marissa é mal explicado e confuso.
Assim como o pouco emotivo e (bastante) previsível desfecho final entre as duas mulheres. Entre uma agente CIA, fria e implacável, e uma assassina geneticamente modificada, será que não dava para mais qualquer coisita??

Sobra como mais valia deste filme a actuação de Saoirse Ronan (Hanna), um cordeiro vestido de pele de lobo,  Cate Blanchett na astuta e calculista Marissa Wiegler e a jovem actriz Jessica Brden no papel de Sophie, a jovem amiga de Hanna.

Será que é um filme que vale a pena ver? Para quem não der atenção aos pormenores, talvez.