terça-feira, 17 de maio de 2011

Grande Ecrã - Pina


Texto previamente publicado na revista de artes online Textualino


Dance, dance, otherwise we are lost.
Pina Bausch


Pina Bausch entrou um pouco por acaso na minha vida ao ver uma dança sua nos Encontros Acarte da Gulbenkian em 1989.
Foi em 1994, numa associação entre Lisboa - Capital Europeia da Cultura e a Gulbenkian, mais uma vez através dos Encontros Acarte e já bem mais consciente da importância dela e do seu trabalho que assisti às suas obras mais emblemáticas: Café Müller, Kontakthof e Sagração da Primavera.
Voltaria a reencontrá-la precisamente há dois anos atrás em 2008 no CCB no Festival Pina Bausch.




A dançar é delicada, quase débil e muito espectral com os seus longos braços e corpo longilíneo. Fora dos palcos, o seu rosto tinha aspecto triste e ar distante, quase vazio. Era reservada, tímida e introspectiva.
Philippine Bausch, Pina Bausch para o mundo, nasceu a 27 de Julho de 1940 e morreu a 30 de Junho de 2009, com 68 anos, cinco dias após lhe ter sido diagnosticado um cancro do pulmão, fruto certamente dos cigarros que invariavelmente se fazia acompanhar.

Pina Bausch dançou a vida, o quotidiano com os seus objectos e os sentimentos e emoções que o acompanham.
Na sua dança encontramos o amor, a solidão, a nostalgia, a alegria, a necessidade. Tudo aquilo por que uma vida humana se pauta.
Era através da observação das actividades diárias, do comportamento humano que muitas vezes ia buscar inspiração para as suas obras.

As suas coreografias escapavam e quebravam os cânones da dança. É uma dança fragmentada, teatralizada, nervosa, frequentemente obsessiva, com gestos repetidos vezes sem conta.
É uma dança onde tudo serve para o bailarino se exprimir, onde nada parece ter sido deixado ao acaso.
Até a respiração dos bailarinos parece ter um propósito e não apenas um resultar da exigência física da dança em si própria.
À energia súbita e repentina são frequentemente contrapostos os silêncios e as pausas.
Utilizava o corpo dos seus bailarinos não só como o natural instrumento de dança mas também como uma tela cujas formas devem ser expostas e/ ou sugeridas.

Através de Wim Wenders e de Pina, entramos profundamente, não na vida de Pina Bausch - Wim Wenders mantém a reserva da privacidade que lhe era tão cara - mas sim na sua obra.
Este projecto estava planeado para ser feito conjuntamente entre a coreógrafa e o realizador, mas com a morte desta, Wim Wenders hesita na continuidade dele, mas tendo-o retomado a pedido da família e amigos de Pina Bausch.

Na ausência da mentora do Wupperthal Tanztheater, são os bailarinos da sua companhia que nos mostram e nos introduzem na sua obra ao fazerem apresentação deles enquanto bailarinos e ao descreverem experiências e contactos que tiveram com ela.
Percebemos que Pina Bausch era uma mulher de poucas palavras, enigmática, afectuosa, atenta e capaz de dizer a palavra certa na altura certa.

Através da câmara de Wim Wenders entramos e tornamo-nos, sem no entanto o invadirmos, íntimos do mundo de Pina Bausch.
Um mundo belo, tenso e intenso. Um mundo feito de quotidiano, de movimento e de palavras.




segunda-feira, 16 de maio de 2011

eu não sou de intrigas...


... mas diz-ze que Sócrates tem tido bons resultados nas urnas porque é o único com experiência para enterrar Portugal.


sábado, 14 de maio de 2011

uma música para o fim de semana - Clã


Estar embeiçado é quando se vai para além das aparências, é quando se retira a casca e se olha para o sumo.

Pela letra desta canção, percebe-se que Manuela Azevedo, pianista e licenciada em advocacia, domina o assunto.
Felizmente que preferiu a luminosidade música em vez dos caminhos burocráticos, tortuosos e obscuros do mundo das leis :).

Embeiçados vem do mais novo álbum dos Clã - Disco Voador. Um disco dedicado aos mais novinhos ;)




sexta-feira, 13 de maio de 2011

from Finland with love


Ao nosso pastel de nata, os finlandeses contrapõem mulheres bonitas e ao rugby e hoquei em patins os finlandeses apresentam-nos campeões mundiais de F1 e ainda por cima fazem-no com amor e carinho.

Hummm... eles ganham, são melhores do que nós. :)



quarta-feira, 11 de maio de 2011

Bob Marley - 30 anos de adeus




O normal é pensar que Bob Marley morreu devido a uma overdose de uma droga qualquer, mas não, morreu de um cancro no pé, resultado de uma lesão sofrida durante um jogo de futebol, a sua segunda grande paixão a seguir à música.

Ao não aceitar que fosse tratado por motivos religiosos, Bob Marley era rastafári - religião que não permite a presença de médicos e o uso de medicamentos que não sejam naturais - ele assinou a sua sentença de morte.
O cancro alastrou ao resto do corpo e a 11 de Maio de 1981 morre no hospital Cedars of Lebanon em Miami. Faz hoje 30 anos.

Para a história ele deixa onze albuns originais editados e canções imortais tais como: No Woman No Cry, Could You be Loved, Redemption Song, One Love ou ainda Jamming.

Estima-se que tenham sido vendidos cerca de 200 milhões de álbuns de Bob Marley. 
O álbum Legend editado postumamente em 1984, é até hoje o álbum de música reggae que mais vendeu em todo o mundo: cerca de 25 milhões de unidades. Um deles é meu :)

Bob Marley é hoje sinónimo de reggae, da Jamaica, da paz e do amor. Representa um estilo e uma filosofia de vida - rastafári - que ainda hoje tem seguidores e vêm nele um dos seus grandes exemplos.
Juntamente com Ernesto Che Guevara, é sem dúvida uma das grandes figuras iconográficas do séc. XX.



terça-feira, 10 de maio de 2011

Grande Ecrã - Thor



Quem me conhece sabe que gosto de mitologias e entre elas a nórdica.
E quem me conhece sabe também que o meu cão se chama Thor. A outra opção para o seu nome seria Zeus.
Assim, entre o deus grego dos trovões e o seu homólogo nórdico, optei pelo segundo.
Esta foi a principal razão pela qual fui ver Thor, pelo meu cão :).


Na verdade Thor é um filme que é fácil de ver. Não exige muito de quem o vê.
É dinâmico, tem cenários grandiosos e tem acção que ajuda a prender a nossa atenção. É pleno de fantasia, pródigo em efeitos especiais e um par de actores cujos nomes por si só atrai gente a uma sala de cinema.

Aborda a amizade e a lealdade como valores a ter em conta e que no fim a traição acaba por ser castigada. O bem triunfa sobre o mal e ainda arranja espaço para o previsível amor entre Thor e Jane que certamente será desenvolvido numa quase certa sequela.

Dos actores, Chris Hemsworth (Thor) com o principal papel e com um corpo e aspecto de lutador de wrestlermania não é ofuscado pelos oscarizados Natalie Portman (a astrofísica Jane Foster) e Anthony Hopkins (Odin, o pai de Thor) que não deslumbram mas cumprem facilmente a sua obrigação, apesar de Tom Hiddleston de conseguir ir um pouco mais além como o perfídio Loki, irmão de Thor.

Thor vem na linha de um conjunto de filmes que pretendem continuar a trazer para o cinema a constelação de herois que a Marvel criou.
Homem de Ferro, Homem Aranha, Quarteto Fantástico, X-Men são alguns dos que já foram lançados e todos com sequelas garantidas.
Para breve e ainda dentro do universo Marvel aguarda-se com expectativas Capitão América e Avengers.

Com quase duas horas de duração,Thor é um bom filme de entretenimento e um bom filme de fim de semana.




segunda-feira, 9 de maio de 2011

o que os filandeses precisam de saber sobre nós


Este é um vídeo que está agora na moda.
Pretende promover e mostrar aos finlandeses que podem boicotar a ajuda financeira a Portugal, o valor e a história do nosso país, assim como qual a sua influência no mundo.

Pessoalmente vejo a coisa com uma demonstração de nacionalismo bacoco.
Mais necessário para consumo interno do que para consumo finlandês ou internacional.
Qualquer português que conheça as diferenças entre os dois países, percebe que mais vale ser finlandês que português.

Basta pensar por exemplo na diferença de qualidade de vida entre os dois países, na eficácia da segurança social ou na relação de confiança que os cidadãos têm com as instituições políticas e naturalmente com os próprios políticos.
E basta pensar também pensar que em pouco mais de trinta anos o FMI já vai na sua terceira intervenção em Portugal, enquanto a Finlândia é considerada uma das referências neste aspecto.

O facto, é que Portugal precisa dos finlandeses e estes estão-se nas tintas para nós.





Mas agora, alguém deveria começar a pensar num vídeo para o Reino Unido...


versão traduzida do vídeo aqui