terça-feira, 22 de março de 2011

Artur Agostinho


Muito querido pelo povo português, sportinguista e dono de um sorriso fácil, Artur Agostinho era um comunicador por excelência.
Foi jornalista, radialista, comentador de futebol, escritor, apresentador e actor de cinema e televisão.
Entre os vários filmes em que participou destacam-se os conhecidos Capas Negras, O Leão da Estrela e O Pátio das Cantigas.

Dirigiu o jornal desportivo Record durante os anos de 1963 a 1974 e para o qual ainda escrevia crónicas.
Através da sua voz e dos seus relatos Portugal conheceu as emoções da selecção nacional no mundial de 1966 em Inglaterra.
Fundou e dirigiu a agência de publicidade Sonarte.
Recebe a Ordem de Sant'Iago da Espada em finais de 2010 pelas mãos do Presidente da República Cavaco Silva.

Nasceu no dia de Natal de 1920 e morreu hoje com 90 anos.




segunda-feira, 21 de março de 2011

um poema de Alberto Caeiro (dia mundial da Poesia)


Quando penso em poesia, o nome de Fernando Pessoa surge de imediato.
Fascina-me a diversidade da sua personalidade que o levou a desdobrar-se em vários poetas. Cada um deles com personalidades, biografias e estilos literários bem diferentes entre si.

Entre os principais heterónimos criados, Alberto Caeiro destacou-se e aproximou-se de mim de uma maneira muito diferente dos restantes.


Atraía-me a simplicidade da sua linguagem, a sua maneira inocente e descomplexada de ver e sentir o mundo. Era o poeta do bucolismo, do paganismo, da natureza, dos sentidos e das sensações. Rejeitava a filosofia, aceitava e encarava a morte como algo natural.
Vivia o dia a dia despreocupadamente, sem pensar o futuro, as causas ou o porquê das coisas.

“pensar é não compreender”

“Eu não tenho filosofia, tenho sentidos…”

De acordo com a biografia Fernando Pessoa lhe atribuiu, Alberto Caeiro da Silva nasceu em Lisboa a 16 de Abril de 1889 e morreria na mesma cidade em 1915. Morreu jovem, de tuberculose, com 26 anos.
Sem profissão, tinha apenas a instrução primária. Os seus pais morreram cedo e viveu quase toda sua vida no campo com uma tia avó.
Álvaro de Campos, Ricardo Reis e o próprio Fernando Pessoa assumem-se como seus discípulos.

Hoje, no dia mundial da Poesia, substituo o ortónimo Fernando Pessoa pelo heterónimo Alberto Caeiro e celebro este dia com um dos seus poemas mais bonitos e também um dos que melhor espelham a sua personalidade e (a não) filosofia de vida.


Quando vier a Primavera
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada
A realidade não precisa de mim.

Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma

Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.

Alberto Caeiro


texto publicado na revista de artes online Textualino

domingo, 20 de março de 2011

Grande Ecrã - Os Agentes do Destino (The Adjustment Bureau)


Fui ver Os Agentes do Destino por dois motivos: por se basear num conto escrito por Philip K. Dick e de alguma maneira ter a expectativa de encontrar um filme de ficção científica que tivesse a dinâmica e envolvência de Inception.

Sou fã deste escritor norte americano de ficção científica. Tenho vários livros dele e vi várias obras suas adaptadas ao cinema. Os superiores Total Recall, Minority Report e Blade Runner e os razoáveis NextPaycheck.

Os Agentes do Destino é um filme fluído e agradável de ver.

Tem uma narrativa dinâmica e consegue prender a nossa atenção.
É uma história de amor que acontece num mundo onde a vontade própria e o livre arbítrio é negado ou pelo menos condicionado em nome de um Plano superior que supostamente existe para protecção da própria humanidade. Qualquer desvio a este Plano terá que ser corrigido pelos Agentes do Destino.

O senador David Norris (Matt Damon) e a bailarina contemporânea Elise Sellas (Emily Blunt), ambos em ascensão nas suas áreas de intervenção, parecem alguma maneira escapar sistematicamente a este Plano e às necessárias correcções. Quer por intervenção do acaso, quer por força da sua vontade própria contrariam aquilo que foi escrito para eles.
O final é o esperado. O amor e a força de vontade vencem. Não sei como acaba o livro em que se baseou para escrever este argumento, mas certamente que George Nolfi - que também se estreia como realizador - podia ter pensado em algo mais imaginativo e convincente.

O casal do filme Matt Damon/ Emily Blunt funciona muito bem.
Damon como o promissor e jovem senador cumpre e está ao nível do que se espera.
Emily Blunt talvez seja o melhor do filme. Compõe uma bailarina simpática e muito espontânea, trazendo frescura e emoção ao filme.

Os Agentes do Destino é um filme que vale a pena ver. Não é deslumbrante, mas está longe de desiludir.
Compará-lo com Inception, nem de longe nem de perto. Perde em toda a linha. Talvez até nem seja justo fazê-lo.




uma bela Lua Cheia II


A propósito da Lua Cheia de ontem coincidir com o seu perigeu, a APOD de hoje traz esta incrível fotografia da lua mesmo por cima do Partenon em Atenas, Grécia.

A explicação pode ser lida em inglês aqui e para quem estiver interessado nos detalhes técnicos da fotografia como o equipamento e a exposição utilizada, pode encontrar esses dados também em inglês aqui.