sábado, 12 de março de 2011
quarta-feira, 9 de março de 2011
segunda-feira, 7 de março de 2011
Grande Ecrã - 127 Horas
Em Abril de 2003 eu estava em Marrocos a escalar no Alto Atlas, quando no grupo no qual eu me integrava soube da história de Aron Ralston.
A conversa durante alguns dias caiu nele. Como seria lidar com a claustrofobia de um canyon, como seria lidar com o desespero da solidão, que limites seria necessário chegar e ultrapassar para tomar a decisão de decepar o próprio braço.
Havia uma grande empatia e admiração para com este homem, um colega de aventuras.
Portanto já sabia que 127 Horas iria mexer comigo da mesma maneira que um outro filme igualmente impressionante mexeu. O tema era também a resistência física e determinação mental de uma pessoa decidida a sobreviver a todo o custo quando a montanha a coloca à aprova. Refiro-me a Touching the Void de Kevin Macdonald.
Toda a gente sabe como o filme acaba, toda a gente sabe que ele fica sem o braço e sobrevive.
Igualmente toda a gente sabe que é ele que corta o seu próprio braço, que esta cena é dura e quase toda a gente que vai ver este filme vai por causa disso.Havia uma grande empatia e admiração para com este homem, um colega de aventuras.
Portanto já sabia que 127 Horas iria mexer comigo da mesma maneira que um outro filme igualmente impressionante mexeu. O tema era também a resistência física e determinação mental de uma pessoa decidida a sobreviver a todo o custo quando a montanha a coloca à aprova. Refiro-me a Touching the Void de Kevin Macdonald.
Toda a gente sabe como o filme acaba, toda a gente sabe que ele fica sem o braço e sobrevive.
O que é um erro porque arrisca-se a passar ao lado da essência do filme: a incrível resistência física e mental de Aron Ralston e a determinação que demonstrou ao enfrentar toda aquela provação sozinho. Sem apoio e sem comunicações.
Até porque se fecharmos os olhos durante os cinco minutos que dura esta cena, rigorosamente não se perde nada do filme.
O filme começa a "abrir", como se tratasse de um filme de acção. Cenas rápidas, dinâmicas, com inúmeros splitscreens. Espaços abertos, grandes paisagens. Uma boa introdução à vida de Aron Ralston (James Franco). Energética e cheia de vida.
Premonitórios os planos em que se vê uma torneira a pingar água quando Aron sai de casa após encher o seu cantil e quando se esquece do seu canivete suiço no armário.
À medida que o filme se desenrola vai abrandando para se concentrar cada vez mais na personagem e no terrível drama de Aron.
Saindo dele, apenas para ilustrar com flashbacks as suas alucinações ou episódios da sua vida.
Danny Boyle a partir de um drama pessoal que se baseia no imobilismo de alguém que fica com um braço preso a uma rocha durante uma escalada e num espaço claustrofóbico (um fundo de um canyon) consegue filmar com dinâmica e manter a nossa atenção tensa e focada em James Franco sem nos saturar.
As cenas que nos permitem ir seguindo o diminuir da água no seu cantil estão bem conseguidas, bem como os planos em que já sem água, decide tomar medidas mais extremas para garantir a sua sobrevivência.
Isto sem mencionar claro, toda a sequência de decepação do braço do escalador.
James Franco é o one man show do filme. A colagem que fez a Aron Ralston é tremenda. É possível encontrar no youtube (ver e ler aqui) alguns trechos das filmagens originais que o alpinista fez com a sua câmara enquanto esteve preso no rochedo e a semelhança é notável.
É justa a sua nomeação para os óscares por lhe ter dado o devido reconhecimento do grande público, mas tendo sido também justo o facto de não o ter ganho. Colin Firth e Jeff Bridges foram superiores.
Indo para além do argumento, realização ou da grande performance de James Franco, 127 Horas tem uma grande mérito.
Narra fielmente a história de um sobrevivente de uma experiência que muitos de nós não consegue imaginar verdadeiramente - 127 horas foi o tempo que Aron Ralston passou preso à rocha. Mais de cinco dias! - sem no entanto o tornar num mártir ou num "coitadinho", alguém de que se fica com pena.
Mas sim alguém que é merecedor da nossa incondicional admiração.
domingo, 6 de março de 2011
sexta-feira, 4 de março de 2011
... e a culpa morreu solteira
Faz hoje dez anos que a ponte Hintze Ribeiro em Entre-os-Rios, Castelo de Paiva, caía.
Com a sua queda, 59 pessoas perderam a vida. 36 corpos nunca foram encontrados.
Pouca horas depois, o ministro das Obras Publicas do governo de Guterres, Jorge Coelho demitir-se-ia, afirmando que "a culpa não pode morrer solteira”.
Em Outubro de 2006, seis técnicos da Junta Autónoma das Estradas são levados a tribunal pelo Ministério Público e são absolvidos. Crê-se que seriam bodes expiatórios de um poder superior.
Muita gente pensa que deveriam ser outro tipo de responsáveis a estar presentes nesse julgamento.
Passados dez anos, a justiça portuguesa numa das páginas mais negras, tristes e vergonhosas da sua história, não encontrou responsáveis pelo acidente.
quarta-feira, 2 de março de 2011
não é arte, não é cultura e não pode ser tradição!
Sou visceralmente contra as touradas.
Nesta fotografia, vejo um touro cruelmente mal tratado, ferido, a sangrar e forçado a estar numa arena, a defender-se contra um toureiro que o brutaliza.
Por isso esta fotografia impressiona-me duplamente. Não só pela precisão e perfeição técnica com que o momento foi captado, mas também pela extrema violência que ela evidencia.
Foi tirada pelo fotógrafo espanhol Gustavo Cuevas e ganhou o segundo lugar do concurso World Press Photo 2011 na categoria Desporto.
Remete-me de imediato para a questão das touradas e para os argumentos de quem a defende.
Não aceito que se chame a um acto de tortura de um animal, arte, espectáculo ou pior ainda, cultura.
Não, quando há flagrantemente, como no caso das touradas, um tremendo desrespeito pela vida de um animal, quando este é colocado desnecessariamente e cruelmente em sofrimento.
A arte implica estética, beleza e artistas.
Não há e nem pode haver estética, e muito menos beleza por se basear no sofrimento provocado deliberadamente e conscientemente num animal.
Não é e nem pode ser arte, porque não existem artistas, mas sim torturadores sádicos que "enfrentam" um touro, estando este sempre previamente diminuído e fisicamente enfraquecido quando entra numa arena.
Cultura é aquilo que se transmite de pessoa em pessoa, geração em geração. Cultura é algo que um país tem orgulho em mostrar, algo que o diferencia dos restantes, algo que o torna atraente aos olhos do seu próprio povo e ao dos outros povos. É algo que se ergue como uma bandeira.
Não aceito que a tourada, um acto bárbaro que se baseia em pressupostos de crueldade, sofrimento e desprezo pela integridade física de um animal seja uma bandeira de um país, particularmente do meu.
Não aceito que se diga falaciosamente que os touros são criados para este propósito e que se não fossem as touradas eles já teriam desaparecido. Como se os touros não existissem antes de alguém inventar essa "coisa" primitiva e sanguinária a que chamaram tourada.
Felizmente que a tourada está a ser banida um pouco por todo o lado. As consciências estão a despertar.
Espanha que tal como Portugal, é um dos países com maiores “tradições” nesta tortura, está a questionar esta prática a uma velocidade cada vez maior e está a proibir as touradas um pouco por todo o país.
Atrás do exemplo de Espanha outros países certamente farão o mesmo. A Colômbia e a Venezuela começam a dar os seus primeiros passos nesse sentido.
As pessoas podem não ser sensíveis ao sofrimento de um animal ou animais se incluirmos os cavalos, mas certamente que o serão quando se trata da vida humana.
Na prática o que a tourada faz e que esta fotografia mostra exemplarmente são dois animais em sofrimento. E isso não é claramente justo.
Especialmente porque um deles, o irracional, não pediu para lá estar.
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World Press Photo
terça-feira, 1 de março de 2011
Grande Ecrã - Indomável (True Grit)
Diria que Indomável e o Discurso do Rei são filmes irmãos. Em tudo muito iguais um ao outro.
A diferença é que a cada um deles corresponde um lado do Oceano Atlântico, moldando-os culturalmente e mostrando as suas raízes.
O Discurso do Rei é sobre o que mais típico a Grã-Bretanha tem, a realeza. Indomável oferece a mais pura tradição do Oeste americano.
Ambos os filmes estão suportados por actores principais cujos papéis enchem o ecrã e é difícil imaginar que outros actores poderiam ter melhor desempenho e ambos foram candidatos aos Óscares. Colin Firth pelo Discurso do Rei e Jeff Bridges por Indomável.
Por sua vez, nos dois filmes, os papéis de suporte têm um desempenho que rivaliza com os principais, Geoffrey Rush e Hailee Steinfeld tendo sido igualmente os dois nomeados para os respectivos Óscares.
As realizações são imaculadas e bem ritmadas, os argumentos muito bons, os diálogos vivos e com humor.
Mas olhando para um e para o outro e pesando-os, gosto mais de Indomável.
Porque apesar de tudo tem melhores cenários e a fotografia de Roger Deakins é excelente.
A realização dos irmãos Coen é mais emotiva e mais vibrante.
A longa cavalgada final de Rooster Cogburn para salvar a vida de Mattie Ross está extraordinariamente bem filmada, carregada de emoção e termina com o dramático sacrifício final do exausto cavalo.
Jeff Bridges compõe fantasticamente um rude e velho marshall, gordo e intratável de voz cavernosa. Enquanto Hailee Steinfeld na mesma linha mostra uma personagem determinada, pragmática e sem papas na língua, mantendo no entanto a sua delicadeza e fragilidade juvenil.
Os irmãos Coen têm assim o grande mérito de fazer reviver um género em que muitos dos que vão assistir a este filme não estão habituados a ver numa sala de cinema: o western.
Talvez a última vez que um western triunfou numa sala de cinema tenha sido Imperdoável (Unforgiven), uma pérola de Clint Eastwood de 1992.
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