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terça-feira, 5 de abril de 2011

Grande Ecrã - Sucker Punch (Mundo Surreal)


Sucker Punch (Mundo Surreal) é uma experiência visualmente delirante. Talvez uma mistura de Matrix com 300 em ritmo de videojogo.
Todo o filme está concebido para a exuberância visual, para a acção. Seja verosímil ou não, o que na verdade não é de todo.
Mas essa, não foi a maior preocupação de Zack Snyder.

Babydoll (Emily Browning) tem problemas com o seu padrasto. Por causa deste, acidentalmente mata a irmã e é internada numa obscura instituição mental com uma lobotomia já planeada.

Para se defender destes ambientes e com um plano de fuga em mente, Babydoll cria realidades alternativas.
Realidades que são criadas através de danças - que não se vêem mas que se antevêem - que ela tem de fazer numa casa de alterne, um cenário já criado por ela na chegada à instituição.
Essas realidades levam-nos para cenários diferentes, distintos e com missões diferentes. É quase um encadeado de curtas metragens.

Começa sempre com um fechar de olhos. De cada vez que Babydoll fecha os olhos ficamos na expectativa com o mundo, com o cenário que Zack Snyder nos vai oferecer e deslumbrar: Japão medieval, uma primeira guerra mundial com alemães zombies, um mundo futurista e um cenário com dragões e orcs.
O ritmo é sempre desenfreado, alucinante e louco. As cores são escuras e esbatidas. Há explosões, disparos e espadeiradas por todo o lado.

As companheiras de Babydoll (Abbie Cornish - Sweet Pea, Jena Malone - Rocket, Vanessa Hudgens - Blondie,  Jamie Chung - Amber) são como ela, sexys.
Aliás neste capítulo Snyder soube escolher e vestir as personagens de acordo com os estereótipos sinuosos dos desejos masculinos: loura, morena e asiática, vestidas com cabedal preto, corpetes, babydolls e botas altas.

Os desempenhos são fracos e quase que se tornam secundários num filme em que os diálogos e onde a lógica em Sucker Punch está também remetida para um plano quase virtual.
Emily Browning e Oscar Isaac (Blue Jones) parecem autênticos erros de casting. A primeira é pouco expressiva e com um ar demasiado artificial, uma boneca de porcelana rosada. O segundo, o dono da casa de alterne, como actor é praticamente inexistente.
As restantes companheiras sexy da equipa de Babydoll cumprem o que lhes é pedido, o que também não é muito.
Scot Glenn é o único que tem alguma credibilidade, mesmo que embrulhado em sucessivos diálogos clichés no seu papel de "sábio".

O final é uma pena. Ao tentar dar uma moral e um conteúdo filosófico ao final, algo que o filme nunca foi, Zack Snyder entra em contradição com ele próprio.
Seria muito mais coerente se através de uma última dança de Babydoll, ele desse a explicação mais plausível e desejada para o final.
E simultaneamente, dava a nós espectadores, a possibilidade de mais uma vez entrarmos num outro cenário e assistirmos a mais uns minutos de acção vertiginosa e fascinante.
Ao fim e ao cabo era só mais um fechar de olhos...




segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Grande Ecrã - A Lenda dos Guardiões

Inauguro aqui uma rubrica que pretendo que seja regular. Sem grande imaginação vou chamar-lhe "grande Ecrã" ;).
Será sobre cinema. Porque é uma das coisas que mais gosto. Vou frequentemente, mais ou menos todos os fins de semana.
Tento sempre ver filmes potencialmente interessantes.
Filmes que me façam pensar (Ensaio sobre a cegueira), que me desvendem mundos diferentes que gostava de conhecer (Avatar), ou talvez não.
Que me identifiquem com causas (Lista de Schindler), que me marquem e que se tornam parte de mim (O Estranho Mundo de Jack).
Que me dêem a conhecer heróis comuns (Gran Torino) ou pessoas extraordinárias (Milk).
Que seja capaz de suavizar a minha alma (O Sítio das Coisas Selvagens) ou que me inquietem profundamente (o Exorcista).

Mas não sou um purista do cinema, também faço concessões ao "lixinho" :).
Já vi filmes que vivem exclusivamente dos efeitos especiais (2012), da pancadaria (Mercenários), ligeiros (A-Team) e filmes verdadeiramente da treta (Transformers 2).

Começo com o filme de animação 3D que vi este fim de semana - A Lenda dos Guardiões.
Um filme com ligeiras nuances bélicas, que tem como animal central, as corujas.
Este filme para mim tem um problema. Não é uno. Ou seja, a vertente argumento e vertente técnica são facilmente distinguíveis e separáveis.
Pelo lado do argumento é banal, batido e previsível.
Trata-se do clássico do bem contra o mal, a lenda que afinal até é verdadeira, os sonhos que se devem perseguir e acreditar porque no fim eles acontecem e até excedem as perspectivas. Nada de mais.

Mas a técnica, a realização é excepcional. Visualmente, é exuberante e arrebatador, ou não fosse o seu realizador Zack Snyder, o mesmo de 300 e Watchmen.
A técnica 3D e a animação das corujas são tudo neste filme. Os trechos em câmara lenta são tremendos. Damos por nós admirar as sequências de voo (e de combate), como as penas das corujas se movimentam, a transparência rosada dos seus bicos, o desenho dos seus olhos, a perfeição da colisão das gotas de águas com os seus bicos e asas durante o voo na tempestade (excelente!), ou os detalhes das máscaras guerreiras que as corujas usam.
É fácil esquecermos que estamos perante um filme de animação em vez de acção real.
Só pela perfeição desta realização vale a pena ver este filme.
Compara-o muito a Avatar pela maneira como nos coloca "lá dentro".