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terça-feira, 18 de junho de 2013

a eloquência do olhar


"Quem não entende um olhar, jamais entenderá uma longa explicação"
Provérbio árabe


Há algo nos olhos que tanto nos cativa como nos pode intimidar. Nos fascina ou sentimos o seu incómodo. Nos protegem ou nos tornam expostos.

O olhos contam histórias sem usar palavras, ensinam sem falar, sorriem sem precisar dos lábios e é entre eles e com eles que se estabelecem e se acabam cumplicidades.
Não mentem. Mesmo quando frios ocultam uma emoção quente e gestos calorosos, ou calmos tentam esconder palavras duras e abismos insondáveis.
Há sempre algo neles que nos conta a verdade.

São duas entradas transparentes para os mundos interiores que habitam em cada um de nós e em cada um dos outros.

Poucos, muito poucos mesmo, sabem e conseguem fotografar os espelhos da alma como Steve McCurry.
Mais provas deste "crime" podem ser vistas nesta série completa de fotografias.











quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Steve McCurry - Leica Hall of Fame Award


Quem leu este texto sabe que tenho uma admiração profunda por Steve McCurry. Um fotógrafo norte-americano de 61 anos que dedicou mais de metade da sua vida à fotografia.
Recentemente a Leica resolveu institucionalizar um prémio - Leica Hall of Fame Award - que distingue um fotógrafo que tenha prestado excepcionais serviços à fotografia e à marca Leica.
E para atribuição do seu primeiro prémio a escolha recaiu sobre Steve McCurry.

É ele o autor da incrível fotografia da "rapariga afegã" que tirou em 1984 quando a encontrou no campo de refugiados Nasir Bagh no Paquistão, altura em que a União Soviética já tinha invadido o Afeganistão.
Foi capa da revista National Geographic em Junho de 1985 e é considerada a mais famosa capa da revista do rectângulo amarelo desde que esta foi fundada há 121 anos. 

A Rapariga Afegã ganhou o seu nome verdadeiro, Sharbat Gula, em 2002 quando o fotógrafo numa expedição organizada pela National Geographic, a identificou após ter recorrido a técnicas biométricas comparando os padrões da íris da fotografia com a de Sharbat Gula.

Em 1986 Steve McCurry torna-se membro da agência fotográfica Magnum, por muitos considerada, eu incluído, como a melhor agência de fotógrafos do mundo.


A Leica elaborou uma pequena retrospectiva fotográfica de Steve McCurry por altura da entrega do prémio.



A música que acompanha o slide é do compositor americano Samuel Barber - Adagio for Strings Opus 11. 
Este adagio tornou-se conhecido pela sua utilização no filme de Oliver Stone - Platoon.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

dia mundial da Fotografia 2011 - Steve McCurry


Há um ano, exactamente no Dia Mundial da Fotografia de 2010 colocava este post com uma fotografia de Sebastião Salgado.

Sebastião Salgado é um grande senhor da fotografia. Considero-o com um dos fotógrafos mais completos e perfeitos que conheço.
Os seus livro temáticos sobre o Trabalho (tenho este) e um outro dedicado a África (que conheço muito bem) ilustram na perfeição a minha afirmação do parágrafo anterior.
Muitas das suas fotografias prendem o nosso olhar e espírito de uma forma muito intensa.

Por vezes enquanto se vai folheando os seus livros, tentamos voltar atrás e reencontrar aquela fotografia, aquela imagem que ainda baila na nossa memória, que vimos há poucos minutos mas que já deixa saudades.

Este ano escolhi outro fotógrafo de minha eleição. Que tem igualmente o mesmo poder, maior diria, de desejar o reencontro, e que é um Deus da fotografia: Steve McCurry.
Pessoalmente penso que McCurry fotografa pessoas, rostos e os seus olhos como ninguém - a fotografia de Sharbat Gula, a rapariga afegã é dele - talvez nem Sebastião Salgado atinja a sua perfeição.

Escolhi esta fotografia de Steve McCurry, um rosto de um ancião tibetano por razões óbvias. Pelos olhos penetrantes, pela saturação das cores e pela dignidade que dele emana.
Dá vontade de ler o seu rosto. Aquelas rugas têm muito poder, muita história para contar, segredos para revelar. Lenta e inexoravelmente, a experiência de vida e a passagem do tempo traçaram nele os seus sulcos.
Por isso o rosto dos velhos, as suas rugas, atraem-me fortemente. São sempre rostos belos, nobres e plenos de fascínio.
Se um rosto jovem tem a beleza da juventude, um rosto envelhecido tem a beleza e a marca do tempo, da vida vivida e da sabedoria acumulada.

Como não tive o privilégio de falar com este ancião, ponho-me a adivinhar o que uma conversa com ele poderia trazer, que conselhos eu poderia ouvir, que lições me seriam dadas.
Sou capaz de olhar esta fotografia tempos infindos e regressar a ela vezes sem conta.

É este o poder da fotografia de McCurry. Emocionar-nos, agarrar-nos a ela. Com unhas e dentes.


sexta-feira, 22 de julho de 2011

Steve McCurry - um blog, uma página, outras realidades


Texto previamente publicado na revista de artes on line Textualino, alguns dias antes de partir para uma viagem pela África Oriental.


Daqui a poucos dias vou viajar. É uma das duas coisas que mais gosto de fazer na vida. A outra, também ela associada à viagem é fotografar.

Antes de viajar faço sempre trabalho de casa. Conhecer previamente o(s) país(es) que me vai(vão) receber.

Desse trabalho de casa, procuro conhecer um pouco das sua gentes, história, religião, cultura e etnia.
Conhecer aquilo que se chama os “do & don’t do” de quem viaja.

A outra parte desse trabalho de casa é tentar conhecer fotograficamente o país ou a zona para onde vou.
A ideia aqui é perceber como se pode abordar o país da paisagens, dos monumentos, dos rostos e dos seus costumes.
Recorro muito a revistas, à Internet e a… Steve McCurry.
Não tanto pelos sítios por onde viaja, mas por aquilo e pela intensidade que fotografa quando viaja.

A minha inspiração está na sua página oficial e no seu blog. Diria que são dois Steve McCurrys.
O Steve McCurry da página oficial é profissional e comercial. Tudo o que faz aqui é planeado e pensado. É perfeito. Os temas, as cores, a composição. O momento.
Visitar as galerias desta página é dar a volta ao mundo, Um mundo social e paisagístico certamente desconhecido e muito diferente daquele por onde a nossa rotina passa.
Aqui encontro aquelas fotografias que olhando para elas e não percebo como são feitas, aquelas que pergunto a mim próprio como é que se tira uma igual. Parecem impossíveis.
É o Steve McCurry que venero.

Depois há o Steve McCurry do blog com o qual tenho uma grande empatia.
É um Steve McCurry igualmente poderoso – algumas fotografias estão também na sua página oficial – mas é mais “acessível”, mais humano e descontraído na sua maneira de fotografar.
Torna-se um fotógrafo mais ingénuo, que se aproxima mais de nós. Deixa-se tocar. Conhecemos o seu pensamento e as suas impressões.
Este é o Steve McCurry que mais gosto e admiro. O meu professor.

Vale a pena conhecê-lo, a ir para além da fotografia da rapariga afegã que o celebrizou, Sharbat Gula.


Entrar na força dos olhos, no sorriso, às vezes da dor de quem é tocado pela câmara dele.
Conhecer as condições de vida muitas vezes brutais do Afeganistão ou Paquistão, o dramatismo e surrealidade da guerra, conhecer as gentes e as cores da Índia, da antiga Birmânia ou de Nova Iorque.

É um convite para viajar pelo mundo pelos olhos de Steve McCurry. Muitas vezes é um outro mundo e outras realidades que ele nos apresenta.

Deixem-se fascinar.