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segunda-feira, 11 de junho de 2012

Grande Ecrã - A Fonte das Mulheres


Tudo se passa algures no Atlas marroquino numa pequena aldeia muçulmana isolada, em que a única maneira de haver água é através de uma fonte afastada, onde as mulheres têm de subir e depois trazê-la, frequentemente com custos físicos elevados, para baixo enquanto os homens ficam no café a conversar e a beber chá.

Há a determinada altura uma revolta das mulheres por serem só elas a ir buscar água e reivindicam a participação dos homens. Com a recusa destes, elas iniciam uma greve ao sexo, uma greve ao amor.

A única coisa que está na sua posse e que lhes permite ganhar ascendente sobre os homens.
Ao travar esta luta vão criar divisões entre elas, entrar em choque com a sua cultura, religião e os seus próprios homens.

A história é transversal a todas as culuras. É a luta das mulheres pela sua emancipação, pela igualdade de direitos, por quererem ver a sua vida facilitada.

Em A Fonte das Mulheres observamos esta luta pelos olhos da mulher muçulmana, da cultura do norte de África e do médio oriente.

Mas sabemos que a mulher ocidental luta pelos mesmos ideais. Se bem que a níveis diferentes porque as suas necessidades serão culturalmente diferentes e também por aquilo que já conseguiu. Já não luta por uma fonte de água, mas luta pela igualdade de oportunidades, pela paridade ou pelo reconhecimento das suas capacidades intelectuais.

A partir desta premissa universal, Radu Mihaileanu (realizador de O Concerto) filma o quotidiano de uma aldeia remota norteada pelos ideais islâmicos. Assistimos aos seus hábitos, costumes e cultura.
É a outra perspectiva que A Fonte das Mulheres nos proporciona. É uma janela fiel para uma cultura que está geograficamente próxima de nós, mas que culturalmente está literalmente noutro continente.

Baseado em grandes diálogos e personagens sólidos este filme consegue prender a nossa atenção desde que se inicia.

As personagens de Leila que inicia a revolta das mulheres e Velha Espingarda, que lhe dá todo o seu apoio, são maravilhosamente compostas, respectivamente pela francesa Leila BekhtiBiyouna, uma cantora e actriz argelina.
A completar o leque das principais personagens, está o professor Sami desempenhado pelo actor Saleh Bakri.  Será ele que irá instruir Leila, a sua mulher, na interpretação do Corão que se revelará importante para que esta possa defender e fundamentar os seus argumentos na decisão que tomou.

A Fonte das Mulheres está em final de carreira nos nossos cinemas e já não será fácil apanhá-lo em cartaz, mas é definitivamente um grande filme e se ainda for possível, a ver.





domingo, 5 de dezembro de 2010

Grande Ecrã - O Concerto

Na era de Brejnev e do KGB, na antiga USSR, Andrei Filipov era um grande maestro. O maior do seu tempo.
Um dia, o KGB pede a Filipov que expulse os judeus da sua orquestra e este recusa. Numa actuação de Filipov quando este dirigia o concerto nº 1 para violino e orquestra de Tchaikovsky, o KGB interrompe a performance e põe o maestro a ridículo.
Filipov cai em desgraça e torna-se "homem a dias" no Bolshoi, local onde tinha conhecido dias de glória.
Ao limpar um gabinete apanha um fax, onde uma sala de espectáculos francesa, Théâtre du Châtelet, faz um convite ao Bolshoi para ir tocar a Paris. O antigo maestro rouba o convite e num tom de vingança, decide ser ele e os seus antigos músicos irem tocar a Paris.
A partir daqui O Concerto entra num registo de comédia ligeira sem imaginação e em estereótipos sucessivos pouco subtis e vai com eles quase até ao final do filme.
Os russos são abrutalhados, bêbados e desorganizados. Os judeus gostam de dinheiro e comércio e acabam a vender telemóveis chineses e contrabandear caviar russo. E os ciganos são... ciganos. São eles que falsificam os passaportes para os músicos poderem viajar para Paris e arranjam igualmente as roupas para eles vestirem na noite da actuação.
Os franceses são histriónicos e temperamentais.

Com o aparecimento de Anne-Marie Jacquet, o filme ganha outra dimensão. Ganha sentimento, ganha uma certa lógica e seriedade. Torna-se mais credível. Fica menos refém da piada fácil e batida. E finalmente a nossa atenção fica com algo para focar.
Desde que a actuação se inicia até à sua conclusão, cerca de 15-20 minutos. São plenos de sentimento com o realizador Radu Mihaileanu a saber explorar a emoção da música, do ambiente, da incrível beleza que o concerto nº1 para violino e orquestra de Tchaikovsky tem.
É com ela e com o som do seu violino, que os músicos russos sem prática e que nunca ensaiaram se coordenam e inspiram após uma ligeira hesitação inicial.
A cena em que vemos a filha, Anne-Marie, a reproduzir no violino, o que vemos os dedos da mãe, Lea, na noite fria e escura da Sibéria a dançarem sobre um violino imaginário é portentosa.

Este filme só pela abordagem final do concerto para violino de Tchaikovsky vale a pena ser visto.
Depois pode pensar-se num segundo motivo, que é a entrada em cena de Mélanie Laurent, no papel de Anne-Marie.