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sábado, 4 de maio de 2019

uma música para o fim de semana - Júlio Resende


Cinderella Cyborg é um nome algo estranho para um álbum de um pianista jazz.
Parece algo distópico: a junção, a fusão de uma figura Disney, querida a muitos de nós, com algo que invoca, metal, frieza, automatismos e ausência de sentimentos.

Mas é precisamente isso que Júlio Resende procura e consegue encontrar, com a vantagem de acrescida de retirar essa carga de ausência de sentimentos e torná-la mais orgânica, mais próxima de nós.
Para o lado Cyborg da música, o músico português recorre à electrónica e à incorporação de beats e pads, o lado Cinderella é garantido pelo seu piano, contrabaixo e guitarra eléctrica dos membros da sua banda.

O resultado é espetacular. Não é um disco de jazz, não é música electrónica. É uma fusão super bem conseguida destes dois géneros, que não estão distantes. Pelas mãos de Júlio Resende estão bem próximos, ali ao virar da esquina.
Explorar este mundo meio maquinado, meio humanizado, é um prazer e um encanto. Sinceramente.
Pouco mais de seis anos depois, Júlio Resende regressa à Esteira. Já tardava...


Bom fim de semana ☺






sábado, 23 de fevereiro de 2013

uma música para o fim de semana - Júlio Resende


Depois do saxofonista Carlos Martins com Água, este You Taste Like a Song do pianista Júlio Resende é a minha segunda incursão pelo jazz português.
É o seu terceiro trabalho e comprei-o na semana passada. A minha sugestão de uma música para o fim de semana vem dele.

É a primeira vez que Júlio Resende se apresenta no formato mais clássico do jazz. Um trio composto por um piano, contrabaixo e bateria.


Os trios (clássicos ou não) têm a grande vantagem de se perceber muito bem e facilmente o papel que cada um músicos/ instrumentos desempenham numa determinada composição, como se harmonizam e como eles dialogam entre si.

Escolhi o tema que dá o nome ao álbum por dois motivos. O primeiro (e óbvio) por gostar muito dele. Tem um toque de poesia, de encantamento e ritmo que o torna fácil de gostar dele. Os instrumentos têm o seu espaço próprio e relacionam-se elegantemente e alegremente.
E segundo porque recorre a uma figura de estilo que na literatura - mas que também pode ser uma condição neurológica - se chama sinestesia.

Consiste em cruzar, associar ao mesmo tempo e na mesma frase, sentidos diferentes.
É ouvir uma campainha que toca a amarelo, ler em voz alta um som grave e quadrado, pegar num livro que sabe a torta de amêndoa ou como o título do tema sugere You Taste Like a Song - tu sabes como uma canção.

Será que se pode saborear musicalmente uma pessoa? E como será e saberá? A uma balada? Ou a uma banda metaleira pesada e agressiva? Poderá saber a um violino?
E o seu sabor musical será sempre constante ou dependerá dos momentos? Será que uma pessoa pode saber a duas canções em simultâneo? Talvez a um álbum inteiro?

Para acabar e sobre este fim de semana ocorre-me escrever que vão ser dois dias cheios de sol quadrado em sons de Júlio Resende de sabor a vermelho intenso com algumas pinceladas de ventos agridoces em tons aveludados de laranja perfumados a rosmaninho.


Bom fim de semana ;)